A perícia da Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense vai analisar se as quatro ossadas encontradas na quinta-feira (22) em um cemitério clandestino em Queimados, na Baixada Fluminense, pertencem a quatro corpos de pessoas diferentes.
Os ossos, de diversas partes do corpo, são humanos, e foram encontrados
de forma espalhada em uma área de mata, dentro de um poço profundo que
foi aterrado no bairro Parque Sarandi.
Só na Baixada Fluminense, foram 8 corpos encontrados em Belford Roxo e outros 6 em Queimados no último mês. A suspeita é que todos sejam vítimas de milícias da região.
Os
trabalhos, com a ajuda de uma retroescavadeira, foram encerrados com a
chuva no início da tarde. Além das ossadas, foram encontradas peças de
moto, um chinelo e uma corda, que também serão analisados em
laboratório.
A Polícia Civil sabe que o local, na Travessa Rio dos Poços, já foi
utilizado por milicianos para o descarte de corpos de vítimas, segundo
as investigações da DHBF.
Outros dois corpos foram encontrados dentro de um poço em julho na
Travessa Ângelo Gregório, no Parque Tupiara, a pouco mais de 2km de
distância. A polícia segue à procura de outros locais onde esses corpos
foram enterrados por essa milícia.
Poço
foi utilizado para descartar corpos de vítimas da milícia em Queimados;
polícia busca por locais onde outros corpos podem estar enterrados —
Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal
A Polícia investiga se as vítimas foram mortas e tiveram seus corpos enterrados pela milícia conhecida como Caçadores de Ganso, que atuava no município.
"Nessa segunda etapa, a gente vai focar na localização de corpos e
vítimas que não chegaram ao nosso conhecimento. Vamos procurar
cemitérios clandestinos para tentar fazer um levantamento mais preciso",
explicou o delegado Leandro Costa, responsável pelo caso, em julho.
Vinte e sete suspeitos de integrar essa milícia, incluindo o vereador de Queimados, Davi Brasil Caetano, foram presos no dia 18 de julho, em operação conjunta do MP-RJ e da Polícia Civil.
O grupo chegava a receber "encomenda" de mortes por redes sociais e lucrava até com a venda de Kit-Churrasco em condomínios do programa "Minha Casa, Minha Vida", do governo federal.
Um dos seus representantes mais perigosos, Carlos Luciano Soares da Silva, está foragido.
Conhecido como Macaco Louco, ele é apontado pela polícia como atual
líder do grupo e um dos integrantes do grupo de extermínio responsável
por várias mortes em Queimados.
Em 2016, a cidade foi considerada a mais violenta do mundo, de acordo com o Atlas da Violência.
A Polícia Civil e o MP acreditam que a atuação da milícia contribuiu
para a taxa de 134,9 mortes para cada 100 mil habitantes.
Segundo um levantamento da DHBF, foram encontradas pelo menos 20 fotos
publicadas no Facebook de pessoas que foram mortas pelo grupo no período
entre 2016 e 2017.
As vítimas foram identificadas, e os corpos, encontrados durante
investigações anteriores da própria delegacia em Queimados, local
principal de atuação do grupo.
As mortes eram discutidas até em grupos de Whatsapp, segundo informações do Ministério Público.
Além desses 20 corpos, foram encontrados mais três, chegando a um total
de 23 vítimas de homicídios com participação comprovada dos Caçadores
de Ganso. São elas:
- Márcio Wagner Alves, vulgo Japão (decapitado);
- Ronaldo Cabral Álvares, vulgo Coringa;
- Um corpo carbonizado, não identificado.
Os corpos de Márcio e Ronaldo foram encontrados depois que a polícia encontrou sangue e um facão dentro do porta-malas de um carro que estava num condomínio dominado pela milícia.
(G1)



