A fumaça das queimadas que ocorrem na Amazônia é tão maléfica que pode impactar na saúde da população a ponto de causar danos no DNA e morte das células dos pulmões. De acordo com um estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), mais de 10 milhões de pessoas estão diretamente expostas a altos níveis de poluentes devido aos desmatamento e incêndios na Floresta Amazônica.
O estudo diz que a exposição das
células pulmonares humanas a partículas menores que 10 µm (ou dez micrômetros,
que equivale a 10 milionésimos de metro), que são emitidas durante as
queimadas, aumentou significativamente o nível de espécies reativas de
oxigênio, citocinas inflamatórias, autofagia e danos ao DNA.
Além disso, se a exposição for
continuada, aumentam-se as chances de apoptose e necrose, ou seja, a morte das
células. “Para as crianças, há a perda da função pulmonar. Nós detectamos isso
na Amazônia, nós temos a perda da cognição, do aprendizado, da memorização e da
capacidade de aprender”, diz Sandra Hacon, pesquisadora e especialista em Saúde
Pública e Meio Ambiente, da Fiocruz.
“A fumaça é composta por
hidrocarbonetos aromáticos que são cancerígenos. No entanto, recentemente
encontramos um poluente carcinogênico proveniente da queimada diferente dos
hidrocarbonetos que conhecíamos, que é chamado de reteno”, afirma Sandra.
Por que queimadas prejudicam a
saúde?
A saúde humana é afetada pelas
queimadas porque a fumaça proveniente dela contém diversos elementos tóxicos. O
mais perigoso é o material particulado, formado por uma mistura de compostos
químicos. São partículas de vários tamanhos e as menores (finas ou ultrafinas),
ao serem inaladas, percorrem todo o sistema respiratório e conseguem transpor a
barreira epitelial (a pele que reveste os órgãos internos), atingindo os
alvéolos pulmonares durante as trocas gasosas e chegando até a corrente
sanguínea.
Outro composto prejudicial é
monóxido de carbono (CO). Quando inalado, ele também atinge o sangue, onde se
liga à hemoglobina, o que impede o transporte de oxigênio para células e
tecidos do corpo.
“Isso tudo desencadeia um
processo inflamatório sistêmico, com efeitos deletérios sobre o coração e o
pulmão. Em alguns casos, pode até causar a morte”, explica o pneumologista
Marcos Abdo Arbex, vice-coordenador da Comissão Científica de Doenças Ambientais
e Ocupacionais da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT) e
professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Araraquara (Uniara).
O Sul



