Ursos Dimas e Kátia serão transferidos hoje de Canindé para São Paulo


Os ursos Dimas e Kátia, da espécie ursus arctos, serão transferidos nesta quarta-feira, 28, de Canindé para Fortaleza e, depois, para o interior de São Paulo. A operação foi iniciada na manhã desta quarta-feira com equipes do Zoológico de São Francisco de Canindé, de veterinários, de integrantes da ONG Deixa Viver, com militares do Exército e funcionários do Rancho dos Gnomos, lugar onde os animais passarão a viver em Joanópolis (SP).

Segundo O POVO Online apurou, os ursos serão transportados em uma carreta fretada pelo Rancho do Gnomos para Fortaleza. Um dos bichos seguirá direto para o Aeroporto Pinto Martins e o outro permanecerá na capital cearense em um quartel do Exército na avenida Borges de Melo. E, nesta quinta-feira pela manhã será transferido.

A princípio, os ativistas da causa animal tentaram que o translado dos dois animais fosse feito por um avião da Força Área Brasileira (FAB). Com a recusa da FAB, a TAM se ofereceu para transportar os dois ursos.

O Exército fará a segurança do transporte de Canindé a Fortaleza, onde homens da Guarda Municipal se juntam para reforçar a segurança. Como são animais de grande porte e de difícil manejo, a recomendação é que as pessoas não se desloquem para o Zoológico de Canindé para não atrapalhar a operação e não estressar os ursos.

Em junho deste ano, uma liminar da juíza Tássia Fernandes Siqueira determinou a transferência dos animais que viraram o centro de uma polêmica entre a diocese de Canindé, protetores de animais e a ativista Luísa Mell.

Na decisão, a magistrada reconheceu que os ursos estavam em melhores condições em relação à época de quando foram acolhidos, depois de sofrerem maus-tratos, por anos, em circos. Mas, de acordo com a juíza, “apesar de todo o carinho e cuidados que os animais recebem junto ao requerido, possuindo uma história no zoológico e também na própria cidade, tradicionalmente devota de São Francisco, há um fato insuperável: a alta temperatura inerente à região. E, quanto ao ponto, apesar de toda receptividade e cordialidade do querido povo cearense, é de se reconhecer que dois ursos de um habitat natural inversamente oposto ao seu não possuem capacidade de adaptação tamanha a modificar sua própria natureza”, escreveu na decisão.

De acordo com Tássia Fernandes, da 3ª Vara da comarca de Canindé, “se há atualmente uma possibilidade de reduzir o desconforto gerado em decorrência das altas temperaturas, proporcionando aos animais plena liberdade para expressar seu comportamento natural, esse deve ser o caminho também natural para o caso concreto”.

A juíza concluiu que não se pode afirmar, com certeza, que o comportamento do urso Dimas, que realiza movimentos coordenados e reiterados, decorre do desconforto causado pelo calor ou dos traumas gerados pela constante tortura a que era submetido junto ao circo.

A magistrada reforçou na liminar que os dois ursos “são animais selvagens retirados da natureza de forma abrupta, torturados, submetidos a diversos atos verdadeiramente desumanos, em tempos em que forçados a promover 'espetáculos' circenses, como se ação humana que cause tanta dor a outros seres vivos fosse engraçada ou motivo de riso. Por tempo foi, infelizmente, mas ao menos quanto a isso a sociedade evoluiu (em tese), para perceber com maior sensibilidade a crueldade que permitida e aplaudida. A liberdade é da essência animal. E é da essência do Poder Judiciário a garantia de direitos fundamentais, inclusive ao meio ambiente, razão pela qual tenho que deve ser permitido aos ursos Dimas e Kátia o exercício pleno de seu direito natural”, escreveu Tássia Fernandes.



(O Povo)

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