O advogado Aldemir Pessoa Junior, suspeito de ser o autor do disparo que
resultou na morte da empresária Jamile de Oliveira Correia, já
respondeu um inquérito em que foi acusado de efetuar disparos de arma
para o alto e contra operários há 14 anos em um terreno. As supostas
agressões, conforme os depoimentos, foram motivadas por conta de uma
disputa judicial pela posse do imóvel. A reportagem do Sistema Verdes
Mares teve acesso, com exclusividade, aos depoimentos que detalham a
ação de Aldemir em julho de 2005.
Na ocasião, conforme o depoimento de uma das testemunhas, ela estava
trabalhando na construção de uma casa num terreno situado na Rua do
Córrego, bairro Edson Queiroz, no dia 3 de julho de 2005, quando Aldemir
chegou ao terreno "armado com uma pistola e passou a intimidar as
pessoas". O operário disse ainda que Aldemir "ameaçou as pessoas" e
afirmou que "se não se retirassem metia bala".
Após as ameaças, o advogado Aldemir efetuou três disparos para o alto e
depois mais tiros em direção às pessoas, conforme o relato da
testemunha. A situação se agravou, de acordo com o depoimento. Com a
arma em punho, Aldemir encostou a pistola na cabeça de um adolescente,
caiu num buraco da construção e a arma disparou. Nesse momento, todas as
pessoas saíram correndo do local.
Ainda segundo o depoimento, o advogado proferiu mais ameaças e disse que
era um dos donos do imóvel e "mataria quem entrasse naquelas terras".
No entanto, dias depois, a testemunha retificou o depoimento e disse que
o advogado apenas "atirou para o chão". No entanto, outras quatro
pessoas confirmaram a primeira versão do mestre de obras sobre os
disparos contra as pessoas e também as ameaças de morte.
Quando foi ouvido na época, Aldemir negou ter atirado contra as pessoas.
Ele relatou que seguranças entraram no terreno e ele sacou a pistola e
efetuou dois disparos para o chão. Aldemir contou que empurrou o mestre
de obras e mandou ele sair do terreno, mas negou ter encostado a arma na
cabeça do adolescente. Ontem, o advogado de defesa dele disse que o
caso foi arquivado e preferia não comentar.
O POVO



