Para se manter na Série A do Brasileiro, não é permitido ficar sem
pontuar por muito tempo. O Ceará conhece a receita e, por isso, precisa
ligar o alerta com as três derrotas consecutivas - para São Paulo,
Flamengo e Athletico/PR. Hoje, com 20 pontos somados na competição (ver
classificação na página 36), a permanência fora da zona ainda existe na
18ª rodada, mas requer uma reação para se distanciar do grupo que cai de
divisão.
A sequência negativa não é inédita, ocorreu também contra Cruzeiro,
Atlético/MG e Goiás. O que muda no novo momento é a falta do principal
alento de Enderson Moreira: desempenho. Na época, o treinador tinha o
discurso de que o time criava muitas chances de gol e faltava aparar
arestas para galgar melhores resultados nos jogos.
As últimas partidas, no entanto, têm mostrado um plantel Alvinegro com
poucos recursos para reagir durante os confrontos. Diante do Furacão,
sábado (31), o comandante reconheceu falhas na estratégia ofensiva
durante o revés por 1 a 0 na Arena da Baixada.
"Viemos com o propósito claro de não ficar errando bola atrás para eles
não saírem contra-atacando. Alongamos a bola mesmo, foi algo que a gente
pensou para não ficar dando oportunidade naquilo que eles têm de muito
bom, que é essa pressão. Tivemos algumas bolas paradas que poderíamos
ter definido. Então, acho que escapou, talvez, na tomada de decisão no
último terço", analisou.
Falhas defensivas
Em que pese os resultados recentes, o Vovô foi vazado em todas as seis
partidas passadas, incluindo gols nos acréscimos. A equipe também não
marca há três jogos e vê peças importantes do time titular se
lesionarem, como o zagueiro Luiz Otávio - que se recupera de uma entorse
no tornozelo direito. Apesar do panorama ruim, as soluções podem estar
dentro do próprio clube. É visível como o time depende da armação de
Ricardinho ou dos arremates de Thiago Galhardo para construir um bom
jogo. O que evidencia um apreço pelo individualismo em detrimento do
trabalho coletivo.
Atacante de referência do Vovô no Brasileirão, Felippe Cardoso é o maior
símbolo disso ao perder a bola sete vezes por jogo. A equipe,
inclusive, é a líder no fundamento negativo, com média de 35 jogadas
desperdiçadas em cada partida realizada.
Tentando impor uma maneira de atuar em casa e adotando outra filosofia
longe do torcedor, os duelos contra Corinthians e Botafogo são
fundamentais para a equipe definir novo patamar de atuação.
O esquema fixo 4-2-3-1 tem chegado ao limite e abre brechas para
perspectivas táticas distintas, como, por exemplo: adoção de dois
centroavantes; uso de três volantes e até a escolha de Galhardo como
falso 9 de fato.
Além de mexer, a tomada de decisão da comissão técnica precisa ser
realizada com mais agilidade. Sofrendo gols ainda no primeiro tempo nas
três últimas rodadas, Enderson guarda substituições para os 10 minutos
finais, o que diminui o tempo de reação do time com a peça vinda do
banco de reservas.
Das 27 substituições que fez durante jogos em que foi derrotado no
Brasileirão, apenas sete foram até os 15 minutos do 2º tempo, enquanto
11 ocorreram após os 35 da segunda etapa. São números que denotam um
apreço pela manutenção da filosofia de jogo, o que resulta em mudanças
tardias como contra o Flamengo, quando o placar já estava 2 a 0 e o Vovô
tentou colocar fôlego novo aos 35 e 42 minutos.
Vale ressaltar que o Ceará só conseguiu virar um resultado na elite.
Pela 6ª rodada, diante do Avaí, a equipe sofreu um gol e marcou dois na
Ressacada, no que foi a única vitória alvinegra fora de casa em oito
partidas - perdeu seis, empatou um, com aproveitamento de 16,7%.
O POVO



