Você está em: CEARA // Notícia de Anselmo // 19 de setembro de 2019

 
 
Com filas de espera zeradas desde 2016, o Ceará tem se tornado uma referência no envio de córneas para transplante em outros estados. Apenas neste ano, foram fornecidos 397 do tecido para hospitais de fora, segundo o Banco de Olhos do Ceará. O número, que considera também os dados da Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce), representa esperança para pessoas que precisam do procedimento cirúrgico.
Ao todo, foram 13 estados beneficiados desde janeiro, entre eles Maranhão, Rio de Janeiro e Pará. O envio só foi possível graças a uma parceria entre a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) e a Secretaria da Saúde (Sesa), que acumulou 3.288 doações desde 2016.
A coordenadora da Central de Transplantes do Ceará, Eliana Barbosa de Almeida, explica que os números desse tipo de transplante são altos em razão da cooperação entre as pastas. “Antes, tínhamos apenas um núcleo de doações e o período de espera era de seis meses. Com a integração, nós passamos a três núcleos em todo o Estado, zeramos a fila e passamos a disponibilizar para outros estados”, diz.
De acordo com Eliana, outros fatores colaboram com os bons números, a exemplo da rapidez do transplante. “Além do procedimento não ser considerado de alto risco e raramente haver rejeições, o grupo sanguíneo também não é requisito para o receptor”. Conforme a coordenadora, em outros estados, “as filas de espera também zeraram, mas logo depois voltaram a crescer. Porém, o Ceará mantém os números firmes”.
SOLIDARIEDADE
O sucesso na captação de córneas vem de atitudes de amor e solidariedade, como as de Sônia Lima, que perdeu o filho Willamy Lima em 2018 e decidiu doar as córneas. “Saber que alguém enxerga com os olhos dele me faz sentir que ele não se foi totalmente. Sinto que ainda pode ver o sol, apreciar a vista do mar, como ele tanto gostava”, conta.
Por ter sido vítima de uma bala em uma perseguição policial, Sônia conta que os outros órgãos do filho não poderiam ser aproveitados. “Se pudesse, eu doaria até o último fio de cabelo dele. Hoje, uma mãe ou um pai devem estar muito felizes pelo filho (a) conseguir enxergar”, comenta.
EMOÇÃO
Transplantado pela primeira vez aos 14 anos, o assistente de logística Frank Marques, 38, que perdeu a visão por causa da ceratocone (uma doença genética que muda a estrutura da córnea), relata. “Fiz o primeiro transplante aos 14 anos. Um dos primeiros procedimentos do tipo no estado. Já o segundo transplante aconteceu aos 33”.
“Precisei me adaptar, principalmente nos estudos. Hoje já não preciso mais. Voltar a enxergar com os dois olhos é uma sensação maravilhosa. Pude retomar muitos sonhos. Passei a ver a vida com outros olhos, a dar mais valor aos pequenos detalhes”, conta, emocionado.
Diário do Nordeste
Caderno: CEARA
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