O governo vai condicionar a liberação de verbas para emendas
parlamentares e a distribuição de cargos nos Estados ao apoio no
Congresso. Para medir a taxa de fidelidade ao presidente Jair Bolsonaro,
o Palácio do Planalto começou a monitorar as redes sociais de deputados
e senadores, bem como os discursos feitos na tribuna, além de
acompanhar a votação de cada um no plenário.
A ideia é usar até R$ 2 bilhões dos cerca de R$ 15 bilhões do Orçamento
que devem ser desbloqueados nas duas próximas semanas para pagar emendas
prometidas quando a reforma da Previdência começou a ser discutida, mas
as negociações incluem agora uma espécie de compromisso de adesão a um
“pacote” de interesse do governo.
Na Câmara, deputados já foram avisados que o governo está de olho em
tudo o que os parlamentares publicam nas redes sociais e não fará
“concessões” a quem agir como oposição. O vereador Carlos Bolsonaro
(PSC-RJ), filho “02” do presidente, também é conhecido por “inspecionar”
as redes e influenciar a comunicação do Planalto.
Responsável pela articulação política com o Congresso, o ministro-chefe
da Secretaria de Governo, general Luiz Eduardo Ramos, fez um périplo
pela Câmara, nesta semana, e teve vários encontros a portas fechadas.
Ramos afirmou que o governo está empenhado em construir uma base de
sustentação no Congresso, mas pediu que os parlamentares não o cobrassem
em público sobre emendas, porque, na sua avaliação, tudo o que é dito
serve para “pautar” os jornalistas.
Na prática quem seguir a cartilha ditada pelo Planalto avançará algumas
casas para ter suas demandas atendidas, mas o discurso oficial ainda é o
de que essas negociações não significam um “toma lá, dá cá”.
Estadão Conteúdo



