Os
vereadores de Uruburetama, no Ceará, cassaram por unanimidade, nesta
segunda-feira (28), o mandato do prefeito do município, José Hilson
Paiva. O prefeito afastado, que também é médico, está preso desde 19 de
julho, acusado de estuprar pacientes durante atendimento ginecológico.
Os crimes ocorreram durante décadas, segundo as denúncias.
O G1
teve acesso a vídeos gravados pelo próprio prefeito atendendo a
pacientes. Especialistas que assistiram aos vídeos afirmam que em nenhum
momento Hilson Paiva realizou um atendimento ginecológico. "Trata-se de
um monstro", e as imagens "demonstram claramente um estupro da
paciente", avaliam profissionais da Associação Médica Brasileira.
"Nunca tinha ido em consulta nenhuma. Não sabia como funcionava. Se ele
estava dizendo que era daquela maneira, eu tinha que acreditar", relata
uma mulher que diz ter sido abusada por Hilson de Paiva e que não quer
se identificar.
Onze
mulheres ouvidas afirmaram que buscaram Hilson de Paiva pela boa
reputação que ele tinha como médico na cidade. Elas contam que eram
atendidas em consultório particular na casa de José Hilson e também no
Hospital Municipal da cidade.
Uma delas foi abusada quando tinha 14 anos. Atualmente maior de idade,
ela diz que nunca contou nada pra ninguém sobre o caso e que voltava a
se consultar com o doutor Hilson porque ele era o único ginecologista de
Uruburetama.
"Ele sempre trancava a porta, mandava a gente entrar e mandava a gente tirar a roupa. Pegava no seio, ficava pegando no corpo da gente, colocava o pênis dele na gente."
Outra vítima estava com um nódulo no seio quando marcou uma consulta
com o médico. "Fiquei nua. Eu achei estranho foi ele usar um canudo e
chupar os meus seios."
Em cinco dos 63 vídeos aos quais o G1
teve acesso, o Hilson de Paiva aparece com a boca nos seios das
pacientes. Ele fala que é um procedimento médico para ver se há
secreção. “Diminuindo, melhorou", argumentava o médico após o
procedimento abusivo.
"O que eu vi é uma maneira muito fácil de ludibriar as pessoas. Você
não vai preparada pra lidar com uma situação dessa. A gente vai muito
preparada pra ficar curada", relata outra paciente do médico.
(G1/CE)



