Pioneiro da TV brasileira, o
diretor Maurício Sherman morreu na manhã desta quinta-feira, aos 88 anos, no
Rio de Janeiro. Responsável pela criação de programas como o
"Fantástico", ele foi diretor executivo da Central Globo de Produção
e dirigiu inúmeros humorísticos, como "Faça humor, não faça guerra"
(1973), "Chico Anysio show" (1981), "Os trapalhões" (1981)
e " Zorra total " (1999). Ao longo de sua carreira, passou por
praticamente todas as emissoras de TV. Na Manchete, por exemplo, descobriu e
revelou nomes como Xuxa e Angélica.
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Mauricio Sherman em 2009, durante
gravação do especial 10 anos do 'Zorra total' Foto: Gustavo Azeredo / Extra /
Agência O Globo
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Segundo seu filho, Alexandre
Sherman, ele morreu em casa, de falência múltipla dos órgãos, decorrente de uma
doença crônica renal. Ele foi internado diversas meses recentemente. Ainda não
há informações sobre velório.
Sherman esteve à frente de
programas de variedades, como o "Noite de gala" (1966), "Moacyr
Franco show" (1977), "Video show" (1994) e "Domingão do
Faustão" (2001). Foi diretor artístico de "TV Colosso", popular
programa infantil dos anos 1990.
Na dramaturgia, dirigiu a
primeira versão de "Gabriela cravo e canela", estrelada por Jeanette
Vollu, na TV Tupi, em 1961.
De dublador a diretor
Nascido em 1931 em Niterói,
Sherman estudou Direito na Universidade Federal Fluminense. A carreira no
entretenimento começou no teatro, como ator. Foi integrante do grupo Jerusa
Camões, no Teatro da Juventude Universitária e atuou ao lado de nomes como Gisela
Camões, Wanda Lacerda, Nathália Timberg, Fernando Pamplona e Alberto Perez.
Ainda no teatro, dirigiu peças
importantes, como "A pequena notável" (1972), estrelada por Marília
Pêra, no papel de Carmen Miranda, e "Evita" (1983). No cinema, viveu
vilões das comédias da Atlântida e dublou desenhos clássicos da Disney, como
"Pinóquio".
Na televisão, passou pela Tupi,
Paulista e Excelsior antes de chegar à Globo, em 1965, a convite de Mauro
Salles. Seu primeiro trabalho na emissora carioca foi a direção do Espetáculo
Tonelux, programa apresentado por Marília Pêra, Gracindo Jr., Riva Blanche e
Paulo Araújo. Gravado ao vivo, o programa musical contava com a presença de
cantores da Jovem Guarda e uma orquestra sinfônica regida por Isaac
Karabtchevsky.
Após retornar à Tupi em 1968,
Sherman voltou para a Globo em 1972, quando dirigiu "Faça humor, não faça
guerra", humorístico com Jô Soares, Renato Corte Real, Luis Carlos Miéle,
Paulo Silvino e Sandra Bréa. No ano seguinte, integrou a equipe responsável por
criar o "Fantástico", programa jornalístico que dirigiu por três
anos.
Em 1983, assumiu a programação da
Manchete. Na recém-criada emissora, foi responsável pela criação do programa
Bar Academia, da minissérie Marquesa de Santos e ainda revelou as
apresentadoras Xuxa e Angélica.
Em 1988, Sherman regressou
definitivamente à Globo, como diretor executivo da Central Globo de Produção, e
depois desempenhou diversas funções na emissora. Uma de suas últimas
responsabilidades foi o "Zorra total", humorístico que dirgiu por 15
anos.
O Globo



