Você está em: NACIONAL // Notícia de Fagner Freire // 31 de outubro de 2019


Com quase a totalidade da produção de camarão feita em cativeiro e pesca de lagosta em áreas distantes do litoral cearense, a cadeia produtiva dos pescados no Estado afirma que o derramamento de óleo na região não representa um risco para a matéria-prima utilizada pela indústria nacional.

É o que aponta Cristiano Maia, presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Camarão (ABCC). "No Brasil, o camarão criado no mar não chega a 10%. É um pequeno mercado que a criação em cativeiro pode suprir rapidamente por conta do defeso. Mas no Ceará, a criação de camarão no mar é zero. Então, não nos afeta", ele diz.

No caso da lagosta, Maia diz que a pesca no litoral cearense é pouco representativa, e o mesmo é válido para outros tipos de pescados. "Os barcos de pesca cearense, em sua grande maioria, estão fora do Estado. Os peixes são pescados longe da costa, em estados como o Pará, e a lagosta é pescada até em Santa Catarina. Não há impacto para nós. É pouca a pesca no nosso Estado", diz Maia, acrescentando que não há motivo para a paralisação da atividade pesqueira e nem de preocupação por parte dos consumidores.

Ontem, segundo o jornal O Globo, a ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Tereza Cristina, afirmou que a Pasta não vai mais suspender a pesca de lagosta e camarão em lugares atingidos pelo derramamento. Ela afirma que a decisão é baseada em novos dados que mostram que não há necessidade de proibição. Mais cedo, representantes da indústria pesqueira enviaram ofício ao Ministério assegurando que o óleo não atinge a matéria-prima utilizada pela indústria nacional e que as embarcações que atuam na pesca oceânica não são afetadas.

Precaução

Para o presidente da ABCC, a antecipação do defeso se deu mais por uma precaução do Governo diante de possíveis riscos de contaminação. Segundo documento enviado ao Mapa, a antecipação do defeso para evitar uma "provável contaminação química" poderia impactar negativamente toda a indústria pesqueira do País, mesmo sem evidência de que haja problemas referentes à qualidade dos produtos.

No ofício, subscrito por oito entidades e assinado pelo presidente da Câmara Setorial da Produção e Indústria de Pescados, Eduardo Lobo Naslavsky, os representantes apontaram que a medida "resulta para o setor em elevado prejuízo de imagem e consequente retração no consumo interno e nas importações".

No mesmo sentido, o Sindicato das Indústrias de Pesca e Frio do Estado do Ceará (Sindfrio) informou que, no Ceará, "muito do que se consome vem de outros países e de regiões não afetadas". Além disso, ressaltou que os "pescados produzidos sob sistemas de vigilância sanitária, seja em escala municipal, estadual ou federal, têm protocolo de processamento bastante rigoroso" e que "produtos processados têm mais segurança".

Antes da declaração da ministra, Jorge Seif, secretário do Mapa, disse que a antecipação do defeso não implicaria na suspensão da pesca e que, até o momento, não houve qualquer notificação de problemas ou anormalidades nos pescados. O secretário havia afirmado que o seguro-defeso seria mantido para pescadores afetados pelo vazamento e que o Ministério estudava ferramenta para ampliar a abrangência da medida a marisqueiras e catadores de caranguejo.

De acordo com o diretor técnico do Coletivo Nacional da Pesca e Aquicultura (Conepe), Cadu Vilaça, a indenização que precisa ser dada à população será efetuada a partir de outro instrumento indeniza-tório. "Com o seguro, foi preciso mexer com a data do defeso, que não deve estar vinculada a um problema de saúde pública", aponta.



(Diário do Nordeste)
Caderno: NACIONAL
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