Uma das imagens de câmeras de segurança próximas ao
prédio que desabou mostra um carro passando em frente ao edifício Andrea
segundos antes da construção desabar na manhã da última terça-feira,
15. O POVO Online localizou o passageiro, Ícaro da Silva, que estava
dentro do veículo em viagem de Uber quando as imagens captaram o momento
da queda.
O jovem de 23 anos, dono de uma empresa de
tecnologia, havia saído da casa da namorada, na Varjota, e estava a
caminho de uma reunião na avenida Antônio Sales. O GPS do aplicativo
mandou o motorista entrar em uma rua à direita, que seria a do prédio.
Foi no quarteirão seguinte que o carro passou ao lado do edifício
e segundos depois Ícaro ouviu o barulho.
Em um primeiro momento o jovem chegou a pensar que não
se tratava da queda de um prédio. “Eu pensei ‘não, um prédio não cai
assim, não tem como’. Primeiro achei que tinham implodido o prédio, e aí
o Uber falou ‘não, cara, se fosse uma implosão teriam fechado a rua,
fechado a área, tinha aviso, enfim, mil coisas’”, declarou.
No momento de incredulidade ele ainda pensou se tratar de um
caminhão que carrega telhados de alumínio. “Eu achei que era o caminhão
carregando aqueles telhados de alumínio gigantescos, que quando passa um
vento faz um barulho enorme. Achei que era um caminhão carregando esse
tipo de telha, passando por um buraco, batendo”, afirmou.
Ao chegar na reunião, os colegas falaram que o prédio
havia caído, e Ícaro mandou um áudio no grupo da família. Em um primeiro
momento os familiares não tiveram dimensão da situação, mas após toda a
repercussão se deram conta da gravidade do que houve. “Depois quando
eles viram os vídeos do carro passando poucos segundos antes é que foram
rezar e agradecer a Deus”.
Sorte, destino, acaso. Ícaro não descarta nenhuma
possibilidade. A única certeza que tem é de que durante a vida situações
de quase morte irão acontecer. “Durante sua vida inúmeras vezes você
vai passar por situações de quase morte, muitas delas você nem vai
perceber. Por exemplo: há duas ruas de onde você tá pode ter uma pessoa
atirando na outra, ou pode ter uma briga num bar que você saiu 10
minutos antes. Esse tipo de coisa... esse tipo de coisa que a maioria
você nem percebe".
(O Povo)



