Você está em: CEARA // Notícia de Anselmo // 25 de outubro de 2019

Sessão na Câmara Municipal de Uruburetama deve ocorrer somente na próxima semana.


A Câmara Municipal de Uruburetama adiou a sessão que votaria o processo de cassação do prefeito afastado José Hilson de Paiva, acusado de abusar sexualmente de pacientes e filmar os crimes. A votação deveria ocorrer nesta quinta-feira (24), mas foi adiada para a próxima semana, ainda sem dia definido. O médico foi indiciado por estupro de vulnerável. As denúncias feitas contra ele dão conta de que os atos eram cometidos desde a década de 1980, em Uruburetama e Cruz.


De acordo com o vereador Diego Barroso, relator do processo, o motivo do adiamento foi que a Câmara não notificou a defesa do prefeito, o que poderia acarretar a nulidade da sessão.
No mesmo mês, o Conselho Regional de Medicina do Estado do Ceará (Cremec) decidiu pela interdição cautelar do médico o que o impede de exercer a profissão por seis meses. O prazo pode ser prorrogado por igual período. O PCdoB também expulsou o médico do partido.


Ao ser preso, o médico disse, em depoimento à polícia, que os estupros e as gravações dos atos se tornaram um "vício", segundo informou a Secretaria da Segurança Pública do Ceará (SSPDS). Segundo a delegada do município de Cruz, Joseanna Oliveira, o médico disse, ainda, que a prática virou fetiche há décadas e era um hobby fazer as gravações utilizando celulares e câmeras digitais.


Denúncias desde 1986

Nascido no Ceará, o médico José Hilson se formou no Rio de Janeiro em 1976. Depois de obter o diploma, voltou para o estado. Entre 1989 e 1992, assumiu a Prefeitura de Uruburetama pela primeira vez, quando virou notícia no Brasil por fazer a primeira prestação de contas do município em praça pública. Em 2016, foi eleito prefeito novamente com 78% dos votos válidos.


As primeiras denúncias ocorreram em 1986. Em 1994, duas mulheres foram à polícia denunciar José Hilson de Paiva por assédio sexual durante as consultas. O caso foi arquivado, sem a condenação do médico.


"Ele pediu pra eu ficar de lado, colocar a língua pra dentro e pra fora, com os olhos fechados", conta uma mulher que diz ter sido abusada pelo ginecologista em 1994 e não fez a denúncia na época. "Quando eu senti, eu estava colocando minha língua no pênis dele. Saí correndo, e ele foi pro banheiro, vestindo as calças."

Em 2018, o prefeito enfrentou uma crise quando um dos vídeos com as relações abusivas que ele mesmo gravou foi divulgado na imprensa. Com a repercussão do caso, cinco mulheres procuraram a polícia e denunciaram o médico por crimes sexuais. Ex-prefeita, Maria das Graçassaiu em defesa do marido. Para ela, houve uma relação extraconjugal, mas não um estupro ou abuso. "Eu quero saber qual é o homem que não trai sua esposa. Eu não conheço no Brasil", afirmou na época.

Além de as pacientes não terem conseguido a condenação, o prefeito entrou na Justiça contra quatro delas, alegando calúnia e difamação. Três desistiram de denunciar o médico para evitar de serem processadas. A única que mantém as acusações disse ter sido abusada em 1994.
"Para o processo [de calúnia e difamação contra as pacientes] ser arquivado, as vítimas teriam que pedir desculpa pra ele. Quando chegou na minha hora, eu disse: 'Eu não vou pedir desculpa, você quem deve me pedir desculpa'."


Verônica Prado, G1 CE

Caderno: CEARA
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