
No Brasil, 2,5% da população passou fome em 2017. Isso corresponde a 5,2 milhões de pessoas. O dado é do relatório ‘O Estado da Segurança Alimentar e Nutrição no Mundo 2018?, da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).
Além disso, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE), um em cada quatro brasileiros vivia em situação de pobreza em
2017, o equivalente a 54,8 milhões de pessoas.
E o relatório Cenário da Infância e Adolescência no Brasil (2019), da Fundação Abrinq, aponta que 47,8% das crianças brasileiras vivem na pobreza.
Muitas dessas crianças em situação de pobreza dependem das escolas
que frequentam para se alimentarem. E o período de férias, que parece
tão bom para outras crianças, pode ser aterrorizante para elas.
No Paranoá Parque, conjunto habitacional do Minha Casa Minha Vida que
fica a 25 minutos de distância do Palácio do Planalto, em Brasília, as
crianças passam os dias livres empinando pipa, de estômago vazio. “No
final da tarde, elas me pedem, ‘tia, tem um pãozinho aí para mim?’ Se
chega pão de doação, acaba tudo em um minuto”, contou Maria Aparecida de
Souza, líder comunitária no bairro, em entrevista para a BBC News Brasil.
Em 2017, um menino, na época com oito anos, desmaiou de fome durante
as aulas e virou notícia nacional. Ele estudava em um colégio a 30 km de
distância de sua casa, onde recebia como refeição apenas bolacha e
suco. De lá para cá, a situação dos quase 30 mil moradores da área não
parece ter melhorado.
A fome parece atingir todos os cantos do Brasil. Até mesmo sua cidade
mais rica: São Paulo. Um professor da rede pública paulistana contou à
BBC o caso de uma aluna do período noturno que, sem comida em casa,
levava o filho menor para também se servir da merenda.
Outra entrevistada pela reportagem da BBC falou sobre a dificuldade
de alimentar os filhos nas férias. “Me corta o coração eles quererem um
pão e eu não ter. Já coloquei os meninos na escola pra isso mesmo, por
causa da merenda. Um pouquinho de arroz sempre alguém me dá, mas nas
férias complica”, afirma Alessandra, que, desempregada, coleta latinhas
na comunidade de Paraisópolis, em São Paulo, onde mora.
Diferentes pesquisas acadêmicas indicam que o acúmulo de deficiências
nutricionais, seja causado pela fome, seja pelo consumo de alimentos de
baixa qualidade, pode causar impacto na habilidade de aprendizado
infantil.
UOL


