O alemão Hermann Redies, de 63 anos, está sofrendo ameaças de caçadores
de animais que invadem a Reserva Particular do Patrimônio Nacional
(RPPN) Mãe-da-Lua, na Serra das Vertentes, em Itapajé, a cerca de 120 km
de distância de Fortaleza. "Se você der um vacilo, cabungo, já era,
velhote", dizia uma mensagem que ele recebeu no celular. O caso é
investigado pela Polícia Civil.
Desde 2006, quando comprou a propriedade de 764 hectares, o biólogo
Hermann encontra indícios de caça de animais. Até o primeiro semestre de
2019, a média de crimes era de dois ou três por ano. A partir de
outubro, passou para dois ou três casos por semana, conforme o
ambientalista.
“Durante muito tempo, eu consegui controlar isso [caça]. Nós colocamos
essa placa [proibido caçar], eles deram 35 facadas e um tiro. São
ameaças indiretas. Alguém quer dizer ‘se você vem aqui, nós fazemos a
mesma coisa com você’, mas isso não é escrito. Isso acontecia o tempo
todo”, lembra Hermann.
Na manhã de 20 de dezembro, o alemão ouviu latidos de cachorros na
reserva e foi averiguar o que acontecia. Ao se aproximar do local, um
caçador correu, junto de três cachorros, e não foi mais visto.
O episódio foi relatado na rede social Facebook, onde o alemão pediu
ajuda da comunidade para identificar os caçadores, que estavam
capturando mais animais nos últimos dias, e disponibilizou o seu número
do aplicativo WhatsApp. Além de denúncias, ele recebeu também ameaças.
Um homem que se identificou como ‘Francisco Caçador’ enviou mensagens a
Hermann: “Você continua causando problema com nós, caçadores. Hoje,
você botou meus amigos para correr. Agora, se você realmente é homem de
verdade, vai lá no mesmo canto, que eu vou estar lá.”
“Só para você ter ideia, antes de eu vir embora, vou deixar um monte de
trabuco [dispositivo que atira automaticamente com balas ou chumbo, se
um animal ou uma pessoa toca no fio que aciona o mecanismo] armado com a
mira no rumo das trilhas. Se você der sequer um vacilo, ‘cabungo’, já
era, velhote”, completa.
Além de texto, "Francisco Caçador" enviou fotos e vídeos com tom de
ameaça, que mostravam tatus, porcos selvagens e calangos mortos, os cães
utilizados para a caça, uma fogueira (onde a carne de um animal estaria
sendo assada) e uma arma de pressão utilizada para abater os bichos na
Reserva.
O alemão acredita que o grupo de ‘Francisco Caçador’ tenha cerca de
seis homens, sendo a maioria morador da região. Mas outros grupos também
praticariam caça, na Reserva. Hermann revela estar “preocupado”. “Eu
levo isso a sério. Ele podem fazer uma emboscada”, afirma.
(G1/CE)



