O novo coronavírus que apareceu na China já fez 17 mortos e infectou
centenas de pessoas, segundo o último balanço divulgado nesta
quarta-feira (22) intensifica a preocupação global.
Um comitê da Organização Mundial da Saúde (OMS) deve se reunir na
tarde desta quarta para determinar se deve declarar uma "emergência de
saúde pública de alcance internacional".
O número total de pessoas infectadas subiu para 444 na província de
Hubei, epicentro da epidemia, anunciaram autoridades locais durante uma
coletiva de imprensa televisionada.
O vírus apareceu no mês passado na cidade de Wuhan e já chegou a
vários países da Ásia e até mesmo nos Estados Unidos, que registrou um
primeiro caso. Nesta quarta, Hong Kong também informou um primeiro
suposto caso em um homem que chegou à cidade procedente de Wuhan.
A secretária de Saúde, Sophia Chan, disse que um homem de 39 anos
testou positivo num exame preliminar, mas que o resultado final sairá
apenas na quinta-feira (23). O indivíduo foi isolado em um hospital.
O presidente chinês Xi Jinping assegurou por telefone a seu colega
francês Emmanuel Macron que a China adotou "medidas de prevenção e de
controle", garantindo que seu país "está disposto a trabalhar com a
comunidade internacional para responder de forma eficaz à epidemia".
Mais cedo, durante uma coletiva de imprensa em Pequim, o
vice-ministro da Comissão Nacional da Saúde, Li Bin, ressaltou que o
vírus, que é transmitido pelo trato respiratório, "pode sofrer mutações e
se espalhar mais facilmente".
Depois de aparentemente ignorar a epidemia que surgiu no mês passado,
os chineses pareciam estar cientes do risco nas principais cidades do
país, onde muitos moradores usavam máscaras respiratórias.
Em uma farmácia de Pequim, uma funcionária explicava aos clientes que
não tinha mais máscaras nem produtos desinfetantes para vender. "Os
estoques zeraram por causa do que está acontecendo em Wuhan. Quando o
número de casos chegou perto de 300, as pessoas perceberam que era
sério", disse ela.
Ventilação, desinfecção
Quase metade das províncias do país está em alerta, incluindo
megalópoles como Xangai e Pequim. Também foi detectado um caso em Macau,
capital mundial dos jogos de azar, onde os funcionários dos cassinos
são obrigados a usar máscaras.
Repetindo um pedido do presidente Xi Jinping para "deter" a epidemia,
Li anunciou medidas preventivas, como ventilação e desinfecção em
aeroportos, estações ferroviárias e shopping centers. Sensores de
temperatura corporal também serão instalados em locais movimentados,
disse ele.
Muitos países com ligações aéreas diretas ou indiretas com Wuhan,
cidade onde a doença surgiu, reforçaram o controle de passageiros,
tirando proveito de sua experiência com a epidemia de SARS (Síndrome
Respiratória Aguda Grave) em 2002-2003, um vírus da mesma família.
Depois do Japão, Coreia do Sul, Tailândia e Taiwan, os Estados Unidos
anunciaram o primeiro caso da doença na terça-feira (21). Trata-se de
um homem na casa dos trinta anos, natural de Wuhan e que mora perto de
Seattle, no noroeste dos Estados Unidos.
Ele chegou em 15 de janeiro sem febre no aeroporto de Seattle, e
entrou, por conta própria, em contato com os serviços de saúde após o
aparecimento dos primeiros sintomas. Foi hospitalizado por precaução e
permanecerá em confinamento solitário por pelo menos mais 48 horas,
segundo as autoridades sanitárias.
Suspeitas
Até o momento, a OMS usou o termo "emergência de saúde pública de alcance internacional" apenas em casos raros de epidemias que exigem uma vigorosa resposta internacional, incluindo a gripe suína H1N1 em 2009, o vírus zika em 2016 e a febre ebola, que devastou parte da população da África Ocidental de 2014 a 2016 e a RDC desde 2018.
O vírus foi detectado em dezembro em Wuhan, uma megalópole de 11
milhões de pessoas, em um mercado de peixes e frutos do mar. Ainda se
desconhece sua origem exata ou o período de incubação.
Vendas ilegais de animais silvestres estavam ocorrendo no mercado,
segundo declarou nesta quarta-feira o diretor do Centro Nacional de
Controle e Prevenção de Doenças, Gao Fu. Ele, porém, não foi capaz de
afirmar se esta era a origem da epidemia.
O prefeito da cidade sugeriu que as pessoas não viagem a Wuhan se não for necessário e que os moradores não deixem o local.
A cepa é um novo tipo de coronavírus, uma família com um grande
número de vírus. Eles podem causar doenças leves nos seres humanos (como
um resfriado), mas também outras mais graves, como SRAS.
(Diário do Nordeste)



