Em artigo publicado no LinkedIn, Nelson Teich, novo ministro da Saúde,
critica a "polarização" entre a saúde e a economia e defende a
necessidade de projeções sobre o coronavírus "levar em consideração o
impacto de uma crise econômica nos níveis de saúde e mortalidade da
população".
"Esse tipo de problema é desastroso porque trata estratégias
complementares e sinérgicas como se fossem antagônicas. A situação foi
conduzida de uma forma inadequada, como se tivéssemos que fazer escolhas
entre pessoas e dinheiro, entre pacientes e empresas."
Teich já criticou o isolamento vertical, modelo defendido por Bolsonaro
em que apenas pessoas no grupo de risco são colocadas em quarentena.
"Sendo real a informação que a maioria das transmissões acontecem a
partir de pessoas sem sintomas, se deixarmos as pessoas com maior risco
de morte pela covid-19 em casa e liberarmos aqueles com menor risco para
o trabalho, com o passar do tempo teríamos pessoas assintomáticas
transmitindo a doença para as famílias", escreveu.
Por isso, já defendeu, em artigo, o isolamento horizontal como a "melhor estratégia no momento" no combate à pandemia.
"Diante da falta de informações detalhadas e completas do comportamento,
da morbidade e da letalidade da covid-19, e com a possibilidade do
Sistema de Saúde não ser capaz de absorver a demanda crescente de
pacientes, a opção pelo isolamento horizontal, onde toda a população que
não executa atividades essenciais precisa seguir medidas de
distanciamento social, é a melhor estratégia no momento."
Ele ressalta, no entanto, que nenhum dos modelos seria o ideal e defende
um "isolamento estratégico", com uso de sistema de geolocalização para
monitoramento de aglomerações.
"Estamos falando aqui do uso de testes em massa para covid-19 e de
estratégias de rastreamento e monitorização, algo que poderia ser
rapidamente feito com o auxílio das operadoras de telefonia celular",
afirmou. Nesta semana, no entanto, Bolsonaro vetou o uso de
geolocalização para identificar situações de risco.
Teich já mencionou a cloroquina como esperança no tratamento do
coronavírus, mas não se posiciona sobre a forma como ela deve ser usada.
Estadão Contéudo



