A Associação Nacional dos
Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) informou hoje (6) que a produção
nacional de automóveis em março teve queda de 21,1%, em relação a março de
2019. Já o nível de licenciamentos caiu 21,8% no período. De acordo com a
entidade, os resultados foram consequência da pandemia da covid-19, que
provocou a queda de quase 90% das atividades do segmento.
Ao todo, foram fabricadas 189.958
unidades, ante 240.763 de março de 2019. A diferença de fevereiro para março
foi de 7%, enquanto a variação no acumulado de janeiro a março foi de 16%. Como
a produção, o volume de unidades exportadas também foi reduzido, em 21,1%, na
comparação com março de 2019, passando de 39.018 unidades para 30.772.
Segundo o presidente da Anfavea,
Luiz Carlos Moraes, "pode-se identificar com clareza a influência da
pandemia nos índices, já que se registrava um aumento de 9% nas vendas até o
começo da segunda quinzena, no acumulado do ano". Para Moares, as
circunstâncias levam a acreditar que o cenário para abril será preocupante.
"Tivemos dois momentos no
mês de março. A primeira quinzena rodando normal, dentro do que a gente
imaginava que seria possível vender e emplacar, e uma segunda quinzena, muito
impactada pelo efeito da crise", disse.
Moraes ressaltou que houve uma
redução de 86,5% na média diária de licenciamentos, da primeira semana de março
para a última. "Isso confirma a preocupação em relação ao atual momento
que nós estamos passando".
Caminhões
Moraes destacou ainda que, ao
contrário dos automóveis, as vendas de caminhões apresentaram pouca oscilação
quanto a fevereiro deste ano. Em março, manteve-se o mesmo desempenho, de cerca
de 6,4 mil unidades emplacadas. Uma das saídas para esse tipo de negociação,
explicou o presidente da associação, tem sido o contato direto entre montadoras
e clientes.
Quanto às máquinas agrícolas e
rodoviárias, observa-se um aumento de 46% na comercialização ante fevereiro, e
de 10,3% em relação aos números de março de 2019. No total, foram vendidas
4.140 unidades.
Apesar da apreensão manifestada,
o presidente da Anfavea salientou que a perspectiva para o segmento deverá
repetir um padrão já vivenciado por países em que a pandemia chegou antes, como
China, Itália, França e Espanha. Para fundamentar o argumento, utilizou como
referência a variação nos licenciamentos de automóveis nesse locais, que foi,
respectivamente, de menos 80%, 85%, 72% e 69%, respectivamente.
De forma geral, disse Moraes, a
decisão da entidade é de aguardar a avaliação de especialistas sobre o Produto
Interno Bruto (PIB, soma dos bens e serviços produzidos no país) para poder
consolidar a projeção para a indústria automobilística brasileira.
Ainda de acordo com o relatório
da Anfavea, com as medidas de distanciamento social, 63 fábricas do setor
interromperam as atividades ao longo das últimas duas semanas, afetando 123 mil
funcionários. A paralisação abrange 10 estados e 40 municípios.



