Crise ameaça pagamento da 1ª parcela do 13º de servidores do Ceará


O pagamento da primeira parcela do 13º salário aos servidores do Estado do Ceará em junho pode não acontecer em 2020, segundo admitiu a secretária estadual Fernanda Pacobahyba (Fazenda). O motivo é diretamente relacionado à crise deflagrada pelo novo coronavírus no Estado, que está comprometendo a liquidez dos cofres públicos.

"O que eu posso dizer neste momento é que a gente tem desafios muito sérios de liquidez. Era previsto pelo Governo Federal ajuda para maio, junho, julho e agosto. Hoje, dia 25 de maio, o presidente (Jair Bolsonaro) nem sancionou, ainda vai publicar o PLP... Este dinheiro não chega este mês", argumenta.

O recurso a que se refere Pacobahyba são os cerca de R$ 916 milhões previstos pelo Projeto de Lei Complementar (PLP) 39/2020, já aprovado no Congresso Nacional e que depende exclusivamente da Presidência da República para que chegue aos cofres do Estado do Ceará e dos municípios cearenses.
A polêmica em torno da publicação no Diário Oficial da União homologando a decisão se arrasta há quase duas semanas, foi tema da reunião entre governadores e o presidente na semana passada e teve até como pré-requisito o compromisso dos estados e municípios de não conceder reajuste aos servidores neste ano.

"Então, está havendo um desajuste de time que torna difícil a gente pensar que consigamos abrir mão de liquidez... Se ele (Bolsonaro) me disser, Fernanda, eu te mando esse dinheiro dia 10. Não, no dia 10, eu já não paguei a folha (de pagamento). No dia 31, eu tenho que mandar (a ordem de pagamento) da folha", expõe a secretária, demonstrando como funciona a dinâmica do Fisco cearense e justificando a possível tomada de decisão sobre a primeira parcela do 13º em 2020.

Pagamento a uma parte

Perguntada se não estudava outras possibilidade para garantir a injeção do recurso na economia cearense - afinal, se os indicadores de saúde tiverem as metas atingidas, a retomada da atividade econômica terá início no próximo dia 1º de junho -, a secretária da Fazenda revelou que estuda cenários para o pagamento do benefício para os servidores, dentro de determinadas faixas salariais.
"Tem várias perspectivas para a gente apresentar ao governador Camilo Santana. Vamos imaginar que a gente libere o 13º das pessoas que ganham até dois salários mínimos. Isso dá uma injeção grande. Essas pessoas, como o salário é baixo, o dinheiro vai direto para o consumo, então, chega realmente na bodega, na loja de roupa... Isso seria bom", estima Pacobahyba sobre um dos cenários prováveis e avaliados pela Secretaria.

Informações consultadas no Portal da Transparência pelo núcleo de dados do Sistema Verdes Mares indicam que o número de servidores estaduais cujo pagamento é de até dois salários mínimos chega a 62.357 pessoas, de um total de 168.358 servidores estaduais - entre ativos, aposentados e pensionistas.

Esta faixa salarial concentra a maior quantidade de servidores tanto entre os aposentados (11.285 recebem até um salário e 11.368 entre um e dois salários) quanto nos da ativa (9.371 ganham até um salário e mais 19.061 recebem entre um e dois).


(Diário do Nordeste)

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