Você está em: CEARA // Notícia de Fagner Freire // 30 de junho de 2020


Uma família de sete pessoas, incluindo uma recém-nascida, foi encontrada vivendo em um matagal em condições sub-humanas, no distrito de Pajuçara, em Maracanaú, na Região Metropolitana de Fortaleza. A família foi localizada após um funcionário de uma fábrica da região ouvir choros de criança e acionar a polícia. O policial que atendeu a ocorrência resgatou a família, nesta segunda-feira (29), e ofereceu abrigo para eles. 

Segundo o pai, Antônio Fautino, eles precisaram deixar o local onde moravam para fugir da criminalidade. Saíram de casa apenas com documentos e poucos pertences. A família não quis dar mais detalhes sobre o assunto por medo de represálias.
“Nós ficamos sem eira nem beira. Se não tem outro canto, vamos nos refugiar no mato”, disse Antônio.
Em meio a essa situação, eles também descobriram que o dinheiro do auxílio emergencial do Governo Federal a que Natália Alves Matos, mãe das crianças, tem direito, foi sacado na Bahia, por meio de ação fraudulenta. 

Dormiram no acampamento improvisado no meio do matagal por cinco dias até serem encontrados pelo policial. No local, a família montou uma espécie de barraca usando um pedaço de bambu e estendendo uma lona por cima. Embaixo, apenas um colchão fino onde dormiam as sete pessoas.

Fazendo carvão

Para conseguir alimento, Antônio fazia carvão para vender. “Daquela mata ali eu transformo em dinheiro, em alimento pra minha família. Cortava a lenha, da lenha encarreirava ela todinha, colocava fogo e ela se transformava em carvão. Do carvão eu vendia e me alimentava”, explicou.
Para Natália, o mais difícil era enfrentar as noites na escuridão completa. A situação deixava não só as crianças apavoradas, mas a mãe preocupada.

Resgate e recomeço

O tenente Agenor, da Polícia Militar do Ceará (PMCE), precisou adentar cerca de 1km na mata para encontrar o motivo da ocorrência acionada. No local, encontrou a família, entre eles crianças e até uma recém-nascida com um mês e uma semana de vida, vivendo de forma extremamente precária.
“Ver uma situação dessa é triste, tocou meu coração na hora”, afirmou emocionado o policial.
Também pai de cinco filhos, tenente Agenor resolveu levar a família para um haras que mantém na mesma região, oferecendo emprego para Antônio como caseiro e cuidador dos animais. 

“Quando a gente vê a cena, está em loco, a gente passa a ver que às vezes se reclama de muita coisa na vida. Não pensei nem duas vezes. No sítio que tenho aqui dentro do município de Maracanaú tinha uma pessoa lá, dispensei a pessoa e levei ele (Antônio) pra lá, vou dar um salário a ele, vai depender dele, o abriguei. Fiquei muito emocionado, não sei, é coisa divina mesmo”, comentou o tenente.


(G1/CE)
Caderno: CEARA
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