Você está em: CEARA // Notícia de Fagner Freire // 15 de junho de 2020


Com o início da corrida eleitoral no Ceará, as agremiações partidárias já começam a definir estratégias para impulsionar campanhas políticas no pleito deste ano. Diante da pandemia da Covid-19, as redes sociais, que vêm ganhando cada vez mais espaço no cenário político, serão ainda mais essenciais para as campanhas eleitorais. As ferramentas digitais, no entanto, não devem substituir as abordagens corpo a corpo, principalmente no interior do Estado e em bairros periféricos da Capital, por conta das desigualdades sociais que ainda impedem muitos cearenses de sequer terem acesso à internet.

A cientista política e professora da Universidade Federal do Ceará (UFC), Monalisa Soares, destaca que o ápice das redes sociais em campanhas foi em 2018, com a eleição do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), e que agora o contexto de pandemia obriga os partidos a adotar estratégias mais enfáticas. "Nesse período de pré-campanha, os partidos já precisam começar a fazer estratégias que envolvam esse universo virtual. Líderes comunitários e líderes de grupo devem ser os canais de informação de divulgação sobre candidatos, fazendo com que se engajem em lives (apresentadas por candidatos nas redes sociais)", exemplifica.

Ela salienta, ainda, que alguns grupos políticos já dominam as plataformas e têm um maior potencial para gerar engajamento, enquanto outros estão com "déficit", precisando alinhar melhor estratégias rapidamente.

Monalisa enfatiza, no entanto, que conquistar a atenção do público nas redes sociais não, necessariamente, indica vantagem eleitoral, mas sim visibilidade, e isso pode ser utilizado de maneira positiva ou negativa.

Assim como Monalisa, o cientista político Cleyton Monte aponta que as diferentes formas de lideranças sociais serão responsáveis por fazer a ponte entre os candidatos e os eleitores, mas acrescenta que profissionais com habilidades em gerenciamento de redes socais devem ser bastante procurado pelos postulantes, para além de marqueteiros, porque é necessário saber como atingir seu público.

"As pessoas não estão preocupadas com isso, e muitas vezes não querem deixar de ver outra coisa para assistir a live de um candidato. Aí entram as lideranças. Só que, hoje, o grande influenciador do bairro é um digital influencer, é um grupo que está fazendo hip hop, é o pastor da igreja, são coletivos ou são representantes de comunidades católicas. Os partidos que não estão atentos a isso vão ficar para trás. Grandes eventos (de campanha) vão ser drasticamente reduzidos, e essas lideranças devem também atuar no corpo a corpo", acrescenta.

Ele ressalta que a demonstração de organização dos partidos nas redes sociais vai poder ser exposta nas convenções de julho, onde são definidos os candidatos, já que elas vão ocorrer também de maneira remota. A medida foi autorizada no início do mês pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por conta do elevado número de casos da Covid-19.



(Diário do Nordeste)
Caderno: CEARA
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