Após forte reação
negativa sobre atrasos e omissões na divulgação de dados da Covid-19, o
Ministério da Saúde recuou e irá informar dados sobre
infectados e mortos às 18h, diariamente, disse nesta segunda-feira (08), o
secretário-executivo da pasta, Elcio Franco.
A decisão ocorre
após, na última semana, o Ministério da Saúde retardar , por
quatro dias, para cerca de 22h a apresentação de balanços diários da
pandemia, que costumavam sair por volta das 19h.
O atraso nos dados chegou a ser comemorado pelo
presidente Jair Bolsonaro. "Olha, não interessa de quem partiu (a ordem
para o atraso). Acho que é justo sair dez da noite. Sair o dado completamente
consolidado", afirmou na última sexta-feira (05), em frente ao
Palácio da Alvorada.
Bolsonaro também disse que "acabou a matéria
no Jornal Nacional" sobre a doença, referindo-se ao telejornal da TV Globo,
e cobrou que sejam divulgados apenas os números de
pessoas que morreram naquele dia. Isso porque os dados apresentados pelo
Ministério da Saúde incluem os óbitos que ocorreram em datas anteriores, mas só
tiveram a confirmação de que a causa foi a covid-19 nas últimas 24 horas.
Como o Estadão revelou, a mudança na forma de
divulgação dos dados ocorreu após Bolsonaro determinar que o número de
registros ficasse abaixo de mil por dia. A solução encontrada seria
divulgar apenas dados de mortes que ocorreram, de fato, durante o dia.
No informe de sexta-feira passada, o ministério
ainda omitiu o número total de mortos no País desde fevereiro,
quando foram registrados os primeiros casos da doença. O painel da covid-19 no
site da Saúde ainda ficou fora do ar até sábado. Segundo Elcio Franco, havia
"necessidade de reformulação" da página.
Partidos da oposição e a Defensoria Pública da
União (DPU) chegaram a ir à Justiça para reverter o atraso e a
omissão de dados sobre o novo coronavírus no País. O Ministério Público Federal
abriu procedimento extrajudicial para apurar o caso.



