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Agente de saúde tira amostra de sangue de recruta militar para teste rápido de Covid-19 na cidade de Vladivostok, no extremo leste da Rússia, no dia 4 de junho. — Foto: Pavel Korolyov / AFP
A chefe do programa de emergências da Organização Mundial de Saúde (OMS) Maria van Kerkhove afirmou nesta segunda-feira (8) que a transmissão da Covid-19 por pacientes sem sintomas da doença parece ser "rara". Ela fez a declaração durante pronunciamento no qual defendia que a contenção da transmissão da Covid-19 pode ser mais rápida com a localização e o isolamento dos casos sintomáticos.
A declaração de Maria, dada durante entrevista no começo da tarde. foi alvo de críticas. Em seu perfil no Twitter, a chefe do programa de emergências esclareceu que há uma diferença entre pacientes assintomáticos e pacientes pré-sintomáticos, que virão a desenvolver algum sintoma da doença.
Além disso ela recomendou a consulta ao guia da OMS publicado na sexta (5), que indica o uso de máscaras para a proteção. No documento, a entidade diz que "estudos mais abrangentes sobre a transmissão de indivíduos assintomáticos são difíceis de conduzir", mas cita um estudo como exemplo. Ele aponta que, entre 63 indivíduos assintomáticos estudados na China, havia evidências de que 9 (14%) infectaram outra pessoa.
No mesmo documento, a OMS alerta: "Os dados disponíveis até o momento, que tratam de casos de infecção em pessoas sem sintomas são decorrentes de um número limitado de estudos com pequenas amostras que estão sujeitas a revisões e não podem dizer se eles carregam a transmissão."
O diretor do Instituto de Saúde Global da Universidade de Harvard, Ashish K. Jha, argumentou no Twitter que infectados que não apresentam sintomas são uma forma importante para a transmissão da Covid-19. Ele explicou que apenas 20% dos infectados não desenvolverão nenhum sintoma. Os outros 80% poderão desenvolver sintomas leves ou mais duros da doença.
"Muitos deles já espalham o vírus antes de desenvolver sintomas", disse Jha. "Eles são, tecnicamente, pré-sintomáticos e não assintomáticos."
Ele ponderou que a OMS diferencia os dois casos e ressaltou que há mais casos de indivíduos pré-sintomáticos que assintomáticos.
Rastreamento abrangente
Ao analisar o tema, Maria citava países com grande capacidade de testagem e rastreio. "Temos alguns relatos de países que estão fazendo rastreio de contatos muito detalhados, estão seguindo casos assintomáticos, seguindo contatos e não estão encontrando transmissões secundárias. É muito raro", disse van Kerkhove.
Em alguns casos, pontuou van Kerkhove, quando uma segunda análise dos supostos casos assintomáticas é feita, descobre-se que os pacientes tiveram, na verdade, leves sintomas da infecção.
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Maria van Kerkhove, líder técnica do programa de emergências da OMS — Foto: Christopher Black/OMS
"Estamos constantemente olhando para esses dados e tentando obter mais informações para de fato responder a essa pergunta, [mas] ainda parece ser raro que um indivíduo assintomático transmita a doença", completou van Kerkhove.
A especialista pediu que os países se concentrassem naqueles que têm os sinais da infecção para tentar fazer o controle do vírus.
"Se de fato acompanhássemos todos os casos sintomáticos, isolássemos esses casos, rastreássemos os contatos e colocássemos esses contatos em quarentena, haveria uma drástica redução na transmissão. Se pudéssemos nos focar nisso, iríamos nos sair muito bem em termos de suprimir a transmissão", afirmou.
Pedido por transparência

OMS destaca necessidade de transparência nos dados sobre pandemia no Brasil
A OMS também destacou, nesta segunda-feira (8), a necessidade de transparência nos dados brasileiros sobre a pandemia.
O diretor de emergências da organização, Michael Ryan, espondeu a uma pergunta feita durante coletiva em Genebra sobre dados divulgados pelo Ministério da Saúde.
"É muito importante, ao mesmo tempo, que as mensagens sobre transparência e divulgação de informações sejam consistentes, e que nós possamos contar com os nossos parceiros no Brasil para fornecer essa informação para nós, mas, mais importante, aos seus cidadãos. Eles precisam saber o que está acontecendo", destacou Ryan.
No domingo (7), a pasta divulgou dados divergentes sobre o número de casos e mortes por Covid-19 registrados nas 24 horas anteriores. Nesta segunda, o ministério detalhou o erro na divulgação, que incluiu 857 mortes "a mais" no balanço.
Segundo levantamento feito pelo G1 junto às secretarias estaduais de Saúde, o Brasil tem mais de 36,6 mil mortes pelo novo coronavírus.
*G1


