Em meio a um cenário de incertezas sobre o início da vacinação contra a Covid-19 no Brasil, prefeitos cearenses aguardam definições dos governos Federal e Estadual para começarem a elaborar seus planos operacionais para vacinação contra a infecção do novo coronavírus.
Sem datas definidas e prazos a serem cumpridos, eles esperam o sinal verde para coordenar e executar as ações de imunização nos territórios pelos quais são responsáveis. A expectativa é que as primeiras doses cheguem em 2021, direcionadas a grupos prioritários, como profissionais da saúde e indígenas, conforme anúncio do Ministério da Saúde.
Com expertise em imunização de outras doenças previstas no calendário nacional de vacinação, assegurado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e aplicado pelas unidades básicas (UBS) da rede municipal, os gestores ouvidos pela reportagem acreditam que os profissionais da área, nas redes municipais, não enfrentarão dificuldades para manusear os imunobiológicos.
No entanto, eles reconhecem que será necessário capacitá-los, dadas as especificidades que a vacina da Covid-19 deve ter, como a conservação em câmaras refrigeradas que atinjam baixíssimas temperaturas. Porém, sem informações técnicas efetivas, dizem que ainda não há o que fazer.
Com uma baixa arrecadação própria e sem condições de comprar mais insumos básicos, os prefeitos receberão seringas e agulhas para aplicar o imunizante adquiridas pelo Governo do Estado, e câmaras de conservação oriundas do Governo Federal.
Plano estadual
Na última quarta-feira, o Governo do Ceará atualizou seu programa de contingência de enfrentamento à Covid-19, com planos de imunização. Nele, o Executivo define as competências dos entes. O Governo Federal, por exemplo, será o responsável pela aquisição de 243 câmaras refrigeradas a serem distribuídas entre os 184 municípios, enquanto o Executivo Estadual irá adquirir insumos, como seringas e agulhas, com quantitativo suficiente para aplicação das duas doses previstas em todas as cidades - o que deve custar cerca de R$ 1,5 milhão ao Estado.
Já os municípios terão que coordenar e executar a vacinação, notificar e investigar eventos adversos e óbitos associados à vacinação; gerenciar o estoque municipal de acordo com as normas; manter a qualidade e segurança da vacina em condições adequadas conservação e temperatura; repassar as informações sobre a vacinação; e elaborar plano operacional. Todos aguardam, antes de qualquer ação, aprovação dos imunizantes pela Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Diretrizes
O presidente da Associação dos Municípios do Ceará (Aprece), Nilson Diniz (PDT), também prefeito de Cedro até 31 de dezembro, diz que a instituição está criando um roteiro com diretrizes gerais aos gestores, sobre grupos prioritários, etapas de vacinação, ampliação dos locais para aplicar os imunobiológicos para evitar aglomerações, entre outras medidas, para que eles possam criar os planos e capacitar os profissionais.
De 16 março a 20 novembro deste ano, data em que foi publicado o primeiro decreto estadual com restrições no Estado, os 184 municípios cearenses já gastaram R$ 557 milhões com despesas assistenciais para enfrentamento da doença. Esse valor é referente a despesas contratadas com dispensa de licitações emergenciais e inexigibilidade.
Previsão de aprovação de vacina no Brasil
Das 51 vacinas desenvolvidas por diversos laboratórios do mundo que estão em estágio clínico, ou seja, sendo testadas, 10 estão nas últimas fases dos ensaios. Destas, quatro estão na fase 3 de testes no Brasil: a da Universidade de Oxford, da Johnson e Johnson, da Pfizer e da chinesa Sinovac. O Ministério da Saúde disse que o País terá ao menos 300 milhões de doses a partir do ano que vem.
Imunização feita por diferentes laboratórios
São 100 milhões de doses da AstraZeneca/Universidade de Oxford, 160 milhões dessa mesma vacina a ser produzidas pela Fiocruz e mais 40 milhões do consórcio internacional Covax Facility. Além disso, o Ministério assinou termo de intenção de compra de 70 milhões de doses da Pfizer.
(Diário do Nordeste)



