Você está em: NACIONAL // Notícia de Fagner Freire // 1 de fevereiro de 2021

 


Uma criança de 11 anos foi resgatada após ser mantida em cárcere privado pelo próprio pai e pela madrasta, com as mãos e pés acorrentados dentro de um barril de ferro. O caso aconteceu em Campinas (SP) e foi descoberta no fim da tarde do último sábado, 30. A corporação da Polícia Militar foi ao local após denúncias de moradores do bairro. Três pessoas foram presas suspeitas pelo crime de tortura, entre elas, o pai do menino, a namorada dele e a filha desta mulher. As informações são do portal G1.

A equipe foi acionada após moradores da região perceberem que o garoto havia deixado de ir para a escola e de brincar com outras crianças do bairro. Os policiais contam que entraram na casa após autorização da jovem de 22 anos, filha da namorada do pai do menino. No local, a PM encontrou o menino nu, debilitado e com sinais de desnutrição. Os policiais usaram um corta-fios para remover as correntes e ele foi socorrido por uma equipe do Samu ao Hospital Ouro Verde. Até o último domingo, 31, ele continuava internado. O menino tem quadro de desnutrição grave e vai continuar internado até alcançar peso considerado adequado para seus 11 anos.

O pai da criança teria alegado que o menino “é agitado dentro de casa” e o manteve em cárcere para educá-lo. Segundo a PM, o garoto ficava impossibilitado de sentar ou agachar e, com isso também apresentava as pernas inchadas. “Eu só queria algo para comer”, disse o menino durante um vídeo gravado pela PM na ocorrência. Ainda, o local também era utilizado pelo garoto para necessidades fisiológicas, sendo coberto por uma telha e por uma pia de mármore por cima, para impedir a saída dele.

A Polícia Civil considerou que o homem aplicou violência e grave ameaça que provocaram intenso sofrimento físico e mental, enquanto que a namorada dele, uma faxineira de 39 anos, e a filha dela, que atua como vendedora, se omitiram e nada fizeram para evitar os resultados.

O delegado de plantão determinou a prisão do pai da criança e, caso ele seja denunciado e condenado, pode receber pena mínima de prisão pelo crime, que varia de 2 a 8 anos. Já a namorada e a filha dela, se responsabilizadas apenas pela omissão, podem receber pena de 1 a 4 anos de detenção. A polícia arbitrou fiança de R$ 5 mil para cada uma delas, mas não há informações sobre os pagamentos.

Ao UOL, vizinhos e moradores do bairro Jardim Itatiaia relataram a rotina da família. Uma mulher de cerca de 30 anos disse ver pouco o homem de 31 anos, mas sua companheira era muito conhecida no bairro e parecia gentil. “Na sexta-feira (29 de janeiro), ela nos chamou para entregar café, bolo e alguns biscoitos. Ela sempre preparava comida para distribuir pelo bairro”, contou.

O que chamou a atenção foi a reserva do casal. “A gente achava estranho, mas pensávamos que eles queriam discrição, algo assim”, completou. Segundo o sargento Mike Jason, que acompanhou a ocorrência, a mulher cuidava de ao menos 13 cachorros. “Ela tinha uma ONG, não sei se legalizada, mas cuidava dos cachorros abandonados. Tanto que você via que eles estavam bem tratados, enquanto que, em cima, mantinha uma criança sem comida”, comentou o 2º sargento.

“A gente sabia que a relação deles com a criança era meio tumultuada, eles reclamavam muito que o menino era hiperativo. Começamos a estranhar quando notamos que o menino não aparecia mais na rua para brincar, como sempre fazia”, contou outra vizinha de 42 anos. Segundo o portal, os moradores passaram a desconfiar de algo errado quando viram um ‘vulto’ em um buraco numa parede, há cerca de um ano.

Eles afirmaram que tentaram obter alguma informação, mas a família nunca se abria. Até que conseguiram ver o rosto da criança. Foi quando uma denúncia chegou a ser feita ao Conselho Tutelar, e depois outra à Polícia Militar, que terminou na descoberta do menino no barril.

O irmão do pai da criança, Paulo Henrique do Santos, disse ao UOL que o homem se afastou da família há alguns anos. “Apesar de morar no mesmo bairro, não tínhamos tanto contato. Mas quando fui na casa dele, fui recebido apenas pela namorada dele, do lado de fora”, contou Paulo, 36.

Após a repercussão do caso, o Conselho Tutelar da região de Campinas explicou que reunirá as equipes para tentar descobrir “onde” foi a falha de acompanhamento do caso. “O Conselho sabia que a família tinha problemas de relacionamento, o histórico com uso de drogas, e por isso tinha o acompanhamento da equipe de ‘média complexidade’ para casos assim. Mas nunca havia chegado a informação de que o menino era mantido nessas condições”, disse o conselheiro tutelar da região, Moisés Sesion.

A criança segue acompanhada por profissionais do Creas e do Caps para avaliação de uma possível doença psiquiátrica. Sobre a denúncia feita por moradores do bairro, Sesion disse que o órgão não tem a função de “investigar denúncias”. O Ministério Público da região já foi notificado sobre o caso.

 

UOL

Caderno: NACIONAL
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