Você está em: NACIONAL // Notícia de Fagner Freire // 30 de julho de 2021

 


Os primeiros casos de infecção pela variante delta (B.1.617) no Ceará foram confirmados pela Sesa nesta quinta-feira (29). Os quatro exames RT-PCR foram realizados no Centro de Testagem de Viajantes do Aeroporto Internacional de Fortaleza Pinto Martins.

“No caso desses quatro indivíduos, três apresentavam sintomas leves ou moderados, que na realização do teste rápido foi confirmado como positivo. Uma das pessoas era assintomática e também foi positivo”, explica Fábio Miyajima, pesquisador da Fiocruz no Ceará.

Conforme Miyajima, 17 amostras positivas foram encaminhadas para o sequenciamento genético, processo que analisa de qual cepa do vírus está infectando a pessoa. Dessas, nove amostras já tiveram os resultados do sequenciamento, das quais quatro acusaram a presença da variante delta. As outras cinco testaram positivo para Sars-CoV-2, o vírus presente em recorrência no estado.

“Esses quatro tiveram uma nova amostra coletada para fins de contraprova e vigilância, no qual nós confirmamos não só detectando a Sars-Cov-2, — fazendo a identificação positiva do diagnóstico de Covid — mas também realizamos sequenciamento e confirmamos ser a variante delta”, explica o pesquisador.

Variante de preocupação

Para tentar evitar o espalhamento do vírus, Fábio Miyajima comenta as ações das autoridades de saúde. “Nós estamos enfatizando que tem sido feito um esforço extraordinário pelas autoridades de saúde no qual nós da Fiocruz nos incluímos que é fortalecer a vigilância imunológica dentro dos estados”, destaca o pesquisador.

“Nós estamos realizando um monitoramento mais ativo, tentando evitar o espalhamento, tentando realizar esse rastreio desses casos importados para que se evite a transmissão autóctone, a chamada transmissão comunitária que se espalha pelos municípios e bairros da capital”, complementa Fábio.

A variante, considerada ‘de preocupação’, pode inclusive atrair mais cuidados por outra situação. “Existe também a chance delas se tornarem mais competentes, continuarem evoluindo; e existe também a chance de recontaminação entre variantes”, reforça Miyajima sobre a possibilidade de combinação entre a variante delta e a AP1 (brasileira).

Viajantes do Rio de Janeiro

Os quatro passageiros, três mulheres e um homem com idades entre 22 e 26 anos, são moradores de Fortaleza (dois), Caucaia e Itapipoca. Eles desembarcaram na capital cearense em três voos diferentes, oriundos do Rio de Janeiro, entre os dias 19 e 21 de julho.

Além de manter a autoquarentena, eles farão novas coletas para medição de carga viral, potencial de transmissão e estudo de anticorpos.

A Sesa garante que os quatro identificados com a variante delta estão sendo monitorados ativamente pela Vigilância Epidemiológica da pasta estadual e respectivas secretarias municipais de Saúde.

Todos que estiveram nos voos descritos abaixo devem cumprir autoquarentena de 14 dias contados a partir da data de desembarque. Confira os itinerários:

  • Voo GOL 2021 de 19/07/2021 – Rio de Janeiro - Fortaleza
  • Voo LATAM 3383 de 20/07/2021 – Rio de Janeiro - Fortaleza
  • Voo AZUL 4763 de 21/07/2021 – Rio de Janeiro - Fortaleza

A Sesa e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) estão realizando busca ativa na lista dos passageiros e tripulantes das três aeronaves vindas do Rio de Janeiro, onde estavam os quatro viajantes que testaram positivo para a variante originária da Índia.

Reforço de barreiras sanitárias

Além da variante delta, outras mutações da cepa do coronavírus foram identificadas nas 17 amostras positivas para a Covid-19 já coletadas no Aeroporto de Fortaleza e analisadas pela Fiocruz, como a Gama, encontrada inicialmente no Brasil, em Manaus.

Com isto, a Sesa toma medidas para identificar e diminuir a transmissão dessas novas variantes. São elas:

  • Ampliação de barreira sanitárias nas rodoviárias de Fortaleza e do Interior;
  • Ampliação das coletas por amostragem no Centro de Testagem para Viajantes do Aeroporto de Fortaleza de 5% para 20% dos passageiros de voos oriundos dos estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul.

A análise de sequenciamento do vírus foi realizada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) no Ceará a pedido do Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (Cievs), da Sesa, em parceria com o Centro de Hematologia e Hemoterapia do Ceará (Hemoce) e pelo Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen).

No Brasil, casos da delta já foram confirmados em, pelo menos, sete estados e no Distrito Federal. Já é considerado que o País tem transmissão comunitária da variante, o que significa que ela já está sendo transmitida dentro do território brasileiro de forma sustentada, sem relação com casos vindos de outros países.

Variante mais transmissível de todas

A variante delta, identificada pela primeira vez na Índia em outubro do ano passado, vem preocupando especialistas, países e entidades internacionais, além de brasileiras. Ela é mais transmissível do que as demais variantes que já circulam no Brasil, como a gama, identificada inicialmente em Manaus; e a variante alfa, primeiramente encontrada no Reino Unido.

Atualmente, a delta é um dos principais aceleradores da pandemia no mundo, inclusive nos países onde a vacinação está avançada. O novo vírus já circula em, pelo menos, 124 países e já corresponde a 99% dos novos casos confirmados no Reino Unido.

Os cientistas ainda não conseguiram definir se a variante delta provoca mais mortes, contudo, o Reino Unido afirmou que "as primeiras evidências da Inglaterra e da Escócia sugerem que pode haver um risco aumentado de hospitalização".

E a vacina?

Especialistas apontam que a delta é capaz de infectar pessoas que foram totalmente vacinadas, ou seja, que tomaram as duas doses da vacina. Os imunizantes atualmente aplicados não são capazes de impedir a infecção; eles apenas têm efetividade na prevenção de casos graves e óbitos provocados pelo vírus.

Uma pesquisa, assinada por pesquisadores do sistema de saúde do Reino Unido, da Universidade de Oxford e do Imperial College London, aponta que a eficácia da primeira dose das vacinas da Pfizer/BioNTech e da AstraZeneca é de 30,7% contra a variante delta — com uma variação de 25,2% a 35,7%.

Frascos das vacinas Pfizer, CoronaVac, AstraZeneca e Janssen, aplicadas em Porto Alegre — Foto: Cristine Rochol/PMPA/Divulgação

Com as duas doses, conforme o estudo, as taxas dos dois imunizantes duplicam e, em alguns casos, quase triplicam contra a delta. No caso da AstraZeneca, a eficácia chega a 67%, com resultados entre 61,3% a 71,8%. No caso da Pfizer/BioNTech, o mesmo índice chega a 88%, com variação entre 85,3% a 90,1%.

Sintomas

De acordo com o estudo Zoe Covid Symptom, no Reino Unido, o sintoma mais comum da Covid por variante delta é a dor de cabeça. Em seguida, vêm dor de garganta, coriza (nariz escorrendo) e febre. Alguns sintomas que eram mais comuns na versão original do coronavírus são menos na infecção pela delta.

O estudo aponta que, nessa nova forma do vírus, não há tantas ocorrências de tosse ou de perda de paladar e olfato.

Centro de viajantes

No início de julho, o governo do estado montou um Centro de Testagem de Viajantes no Aeroporto Internacional Pinto Martins, em Fortaleza, a fim de controlar a entrada de variantes mais transmissíveis e de preocupação como a delta no estado.

Centro de Testagem de Viajantes no Aeroporto foi inaugurado no último dia 13 de julho. — Foto: Fátima Holanda/Sesa

O Centro de Testagem de Viajantes seleciona entre 5% e 10% dos passageiros de todos os voos domésticos para realizar exames para detecção do coronavírus. As pessoas são escolhidas de forma aleatória e fazem o teste em uma unidade móvel do Laboratório Central de Saúde Pública do Ceará (Lacen).

Além dos escolhidos, são indicados a comparecer ao local tripulantes com quadros gripais ou voluntários que queiram fazer o teste. O resultado, conforme a Sesa, sai em até 10 minutos. 

 

 

(G1/CE)

Caderno: NACIONAL
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