Você está em: Pires Ferreira , REGIONAL // Notícia de Anselmo // 9 de março de 2022


 
A estudante cearense Maria Larissa Pereira Paiva, de 16 anos, moradora da pequena cidade de Pires Ferreira, no Sertão de Ipu, vem realizando uma tarefa bastante incomum para garotas e garotos da sua idade: analisar 1.450 galáxias monitoradas e fotografadas pelo supertelescópio Subaru, função que ocupa no projeto Galaxy Cruise, do Observatório Astronômico Nacional do Japão.

“Eu fiz um curso e só depois comecei a usar o programa, que vem do observatório nacional do Japão, para pesquisar. Eu recebi o certificado para começar e aprendi a deduzir as informações”, disse Maria Larissa para a reportagem do Diário do Nordeste. O Galaxy Cruise é uma iniciativa do governo japonês para fomentar a participação de jovens em atividades científicas, mesmo que eles não tenham uma formação na área, que por fim ainda resulta numa coleta de dados bastante robusta, que se não fosse o trabalho da meninada, certamente demoraria muito tempo para ser registrado.

A jovem observa e cataloga o tamanho, a luminosidade, o formato e o comprimento das galáxias, analisando conjuntos de estrelas, gases e matéria escura. As informações são lançadas posteriormente por ela num software da entidade nipônica. “Não é só colorido e divertido, porque temos que colocar os filtros. Realmente é uma análise de dados astronômicos que está vindo de um telescópio no Japão”, explica a adolescente, mostrando que a atividade não é um passatempo comum, e sim um trabalho sério e científico.

As imagens, que chegam ao sertão cearense pela internet, são captadas do espaço, remetidas ao Observatório Astronômico Nacional do Japão e feitas com uma câmera de alta tecnologia chamada Hyper Suprime-Cam. “Participar deste programa traz muito resultado para mim, porque eu estou tendo acesso a imagens reais de galáxias no universo e eu estou tirando proveito, aprendendo com isso”, conta a estudante, que sonha em se tornar uma astrônoma.

Descoberta de asteroide

Em junho de 2021, utilizando um notebook emprestado, Maria Larissa descobriu um asteroide que ainda não estava catalogado durante sua participação no International Astronomical Search Collaboration (IASC), um programa da Nasa, a agência espacial dos EUA, que tem por finalidade incentivar o conhecimento científico entre jovens do mundo.

“Para fazer as atividades na astronomia, usei computadores emprestados. Pra caçar os asteroides também. Mas é realmente muito difícil, fico pensando em quem não tem acesso de jeito nenhum. Essa falta de investimento é um reflexo do Brasil: a ciência está largada às traças”, reclamou a jovem, mostrando bastante maturidade para sua pouca idade.


Revista Fórum
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