Você está em: CEARA // Notícia de Fagner Freire // 31 de maio de 2022

 

Ter um familiar desaparecido gera uma dor sem tamanho nos familiares. Conviver com a incerteza do que teria ocorrido com alguém próximo é angustiante. Dúvidas e espera que tiveram fim para uma família cearense que cedeu amostra de DNA com intuito de localizar um familiar, o pescador Francisco Evonildo da Costa, que estava desaparecido há 10 anos. Evonildo foi visto pela última vez por seus familiares na praia de Aracati.

 Esposa e filha, que haviam se mudado do Ceará para o Rio Grande do Norte (RN), coletaram material genético no Instituto Técnico Científico de Perícias (Itep) do Rio Grande do Norte, por ocasião da Campanha de Coleta de DNA de Familiares de Pessoas Desaparecidas. As amostras foram processadas e inseridas no banco de perfis genéticos pela Pefoce. A análise genética dos familiares revelou uma compatibilidade com o DNA do pescador que havia morrido, em 2015, em Santa Catarina.

O Núcleo de DNA da Pefoce participa da Rede Nacional de Bancos de Perfis Genéticos (RIBPG), que funciona de forma nacional, através da parceria com a Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) e os estados da Federação. 

Francisco Evonildo da Costa saiu do Estado do Ceará em março de 2011, com destino a Bahia, e desde então não mandou mais notícias a seus parentes. Em 2015, o corpo de Francisco foi encontrado na praia de Itaguaçu, em São Francisco do Sul (SC). A investigação local não conseguiu identificar o pescador e, em busca de soluções, os peritos enviaram uma amostra do material genético dele para o Banco Nacional de Perfis Genéticos (BNPG), que agora depois coincidiu com o DNA cedido pela família.

A identificação de Francisco da Costa foi possível com o trabalho desempenhado pelos laboratórios de três estados, que foram determinantes para conseguir o êxito total na busca. “Esse trabalho funciona em formato de parceria. Esse caso é bastante representativo do grande alcance da Rede. Através das coletas feitas e processadas no Nordeste, conseguimos identificar um corpo cujo material genético foi inserido no sul do país, mostrando a importância e dimensão do banco de dados genéticos”, ressalta a perita legista Ana Claudia Sobreira, do Núcleo de DNA Forense da Pefoce.

 Para aumentar cada vez mais o número de pessoas encontradas, é importante que as famílias continuem doando seu DNA, para que mais casos sejam solucionados. O material coletado será exclusivo para realização de exames para a busca de desaparecidos, ou seja, não será compartilhado para nenhum outro tipo de pesquisa.

Campanha Nacional

A Rede Integrada de Bancos de Perfis Genéticos (RIBPG), junto ao Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) em parceria com os órgãos de perícia dos estados, atuam integrados, desde o ano passado, em uma busca ativa por pessoas desaparecidas. Familiares que estão com parentes desaparecidos podem fazer o Boletim de Ocorrência (BO) noticiando o desaparecimento do familiar. Após a comunicação do desaparecimento, os parentes de 1º grau são direcionados para a coleta de DNA nos órgãos de perícia. Além da amostra de familiares, o banco também recebe objetos de uso pessoal dos desaparecidos que possam conter ali o material genético da pessoa desaparecida.

Os cruzamentos de dados ocorrem de forma ininterrupta, gerando informações entre os estados, o que possibilita confrontar as amostras desses familiares com cadáveres ou material de pessoas vivas que ainda não tenham a identidade conhecida. “No Ceará, as famílias que possuem parentes desaparecidos devem procurar a Pefoce com documentação e boletim de ocorrência. Toda equipe já está treinada para colher o material genético e receber essas pessoas. Quanto mais pessoas procurarem, quanto mais perfis genéticos forem alimentados no banco, maior a chance da gente encontrar esses familiares desaparecidos”, explicou a perita Ana Claudia.

Segunda etapa

O Estado do Ceará, através da Pefoce, já deu início a segunda etapa da campanha por pessoas desaparecidas, que consiste em realizar a coleta de DNA em idosos que moram em abrigos e em pacientes que estejam hospitalizados e que estão sem vínculo familiar, que podem estar sendo procurados por seus parentes. A coleta é realizada pelas equipes da Pefoce de forma rápida e indolor, com um swab oral que coleta amostra de saliva. Os hospitais e abrigos que possuem pacientes e abrigados com o perfil podem acionar a Pefoce através do telefone (85) 3101.5054.

 

 

(SSPDS)

Caderno: CEARA
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