Quem é 'Vaqueiro', acusado de chefiar o PCC e realizar lavagem de dinheiro no CE

 

 A imagem mostra um carro de luxo, de cor azul, em uma casa localizada num condomínio no Eusébio.

Um homem preso em um condomínio de luxo, no Ceará, é acusado pelo Ministério Público do Ceará (MPCE) de chefiar a facção paulista Primeiro Comando da Capital (PCC) e de realizar lavagem de dinheiro para a organização criminosa, com recursos provenientes do tráfico de drogas.

O MPCE denunciou Adriano Fernandes Bezerra, conhecido como 'Vaqueiro', por integrar organização criminosa, lavagem de dinheiro e falsificação de documento particular, no dia 6 de abril deste ano.

Outras cinco pessoas foram acusadas. Confira os crimes:

  • Dennio Tavares Diógenes - acusado de integrar organização criminosa e lavagem de dinheiro;
  • Jadna Maria Oliveira Pinheiro: acusada de lavagem de dinheiro;
  • Marcelo Moreira de Oliveira: acusado de integrar organização criminosa e lavagem de dinheiro;
  • Marcos Fernandes Bezerra: acusado de lavagem de dinheiro;
  • Viviane de Oliveira Alves Bezerra: acusada de integrar organização criminosa e lavagem de dinheiro.

Entretanto, a Vara de Delitos de Organizações Criminosas, da Justiça Estadual, rejeitou as acusações por integrar organização criminosa e concluiu que não é competente para julgar o crime de lavagem de dinheiro - que não foi cometido por organização criminosa. A decisão foi proferida no dia 2 de setembro deste ano.

Conforme a decisão judicial, "a denúncia não descreve de forma minimamente clara como os denunciados teriam atuado no contexto da suposta organização, tampouco individualiza condutas ou aponta vínculo concreto com a estrutura ou os interesses da facção".

Observa-se, ainda, que a prova colhida na fase investigativa é frágil e incapaz de delinear, mesmo de maneira indiciária, a atuação dos denunciados em benefício direto ou indireto da organização criminosa."

A Promotoria de Justiça de Combate às Organizações Criminosas, do MPCE, ingressou com um recurso contra a decisão judicial, no último dia 19 de setembro. O recurso ainda não foi julgado.

Para os promotores de Justiça, "o procedimento investigatório criminal reuniu elementos informativos suficientes a indicar a materialidade delitiva e indícios de autoria, notadamente quanto aos crimes da Lei nº 12.850/2013 e o tráfico de entorpecentes, permitindo, assim, o prosseguimento da ação penal no Colegiado da Vara de Delitos de Organizações Criminosas".

A defesa dos acusados não foi encontrada ou não respondeu à reportagem até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto para futuras manifestações.

Como funcionava o esquema criminoso

O grupo foi alvo de uma operação da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado no Estado do Ceará (Ficco), deflagrada em junho de 2020, para apurar a atuação de célula da organização criminosa Primeiro Comando da Capital no Ceará, voltada à prática do crime de lavagem de dinheiro.

Conforme a denúncia do Ministério Público do Ceará, Adriano Bezerra, a companheira Viviane Alves e os amigos Marcelo de Oliveira e Dennio Diógenes "dedicavam-se à ocultação e dissimulação da natureza, origem, localização, disposição, movimentação ou propriedade de bens, direitos e valores oriundos, direta ou indiretamente, de atividades ilícitas vinculadas ao PCC".

Já Marcos Bezerra e Jadna Pinheiro "atuavam como 'laranjas' no esquema de lavagem de capitais, assumindo deliberadamente a condição de interpostas pessoas com o objetivo de viabilizar o processo de branqueamento dos ativos ilícitos da organização criminosa", segundo o MPCE.

A investigação da Ficco apontou que o casal Adriano e Viviane apresentavam "movimentações financeiras atípicas". O homem conhecido como 'Vaqueiro' já respondia por lavagem de dinheiro e posse ilegal de arma de fogo, em São Paulo.

R$ 1,2 milhão

foi registrado de crédito, na conta bancária de uma empresa de Viviane Alves, apenas em dois meses. O valor de débito foi semelhante, e as empresas que receberam os valores tinham atividades de fachada ou inexistentes, segundo a Polícia.

Os investigadores também encontraram indícios de ligação de 'Vaqueiro' com o tráfico de drogas. Um caminhão-baú - que guardava 1,5 tonelada de cocaína, que era levado ao Porto de Itajaí, em Santa Catarina - foi encontrado, durante as investigações, estacionado em frente à residência de Adriano, em um condomínio de luxo no Eusébio, na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF).

Dinheiro, cheques, joias e relógios de ouro foram apreendidos pelos policiais

Dinheiro, cheques, joias e relógios de ouro foram apreendidos pelos policiais Foto: Divulgação/ Polícia Federal

Mandado em condomínio de luxo

A Operação Pista Fria, deflagrada pela Ficco no dia 5 de junho de 2024, cumpriu 21 mandados de busca e apreensão contra a organização criminosa liderada por 'Vaqueiro'. A Justiça também determinou sequestro de 32 veículos e o bloqueio de contas bancárias dos investigados.

A Força Integrada de Combate ao Crime Organizado no Ceará é composta por Polícia Federal (PF), Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS-CE), Polícia Militar do Ceará (PMCE), Polícia Civil do Ceará (PCCE), Polícia Rodoviária Federal (PRF), Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen), Perícia Forense do Ceará (Pefoce) e Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização do Ceará (SAP).

Um mandado foi cumprido na residência onde 'Vaqueiro' morava, em um condomínio de luxo no Eusébio. No local, foram apreendidos R$ 90 mil em espécie e veículos de luxo.

A imagem mostra um carro de luxo, de cor prata, estacionado na garagem de um imóvel em um condomínio no Eusébio.

Um mandado foi cumprido no imóvel onde 'Vaqueiro' morava, em um condomínio de luxo no Eusébio.Foto: Divulgação/ Polícia Federal (PF)

O suspeito teria vindo de São Paulo para o Ceará, a mando da facção PCC, para coordenar a lavagem de dinheiro e o tráfico internacional de drogas que passa por território cearense, segundo a investigação.

O nome da Operação faz uma referência às vaquejadas. "Pista fria" é um termo que significa que a área de vaquejada está livre para o início dos trabalhos. 'Vaqueiro' gostava de ostentar em festas de vaquejada, no Ceará.

Os outros mandados judiciais foram cumpridos nos municípios cearenses de Fortaleza, Cascavel e Pereiro e, também, fora do Estado, em Salvador (BA), Brasília (DF), Cotia (SP), Francisco Dantas (RN) e Castanhal (PA). 

Além do dinheiro em espécie e dos imóveis e veículos sequestrados pela Justiça, foram apreendidos relógios de luxo, joias, documentos e aparelhos celulares, na Operação.

A defesa de Adriano Fernandes Bezerra e Viviane de Oliveira Alves Bezerra solicitou à Justiça a revogação do sequestro de um imóvel de luxo, localizado em Cotia; de dois galpões, localizados em Fortaleza; e de um Jeep Commander, apreendido no imóvel do Eusébio. A Vara de Delitos de Organizações Criminosas recusou o pedido, no dia 23 de outubro deste ano.

    DN 

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