Considerado um dos bairros importantes para a história de Fortaleza, o Pirambu virou, recentemente, o tema do trabalho de conclusão de curso (TCC) de um jovem cearense no curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (USP).
Com mais de 150 páginas, o projeto “Pirambu: Interface entre cidade e mar” repensa o bairro de maneira moderna e revitalizada, casando as diferentes características que tornam o local um dos mais emblemáticos da Capital cearense em uma proposta arquitetônica voltada para a população e ao poder público.
Em conversa com o Diário do Nordeste, o autor da monografia, Samuel Serejo, 22, afirmou que pensa na sua produção como um resgate histórico do local em que passou grande parte da vida, e que ainda hoje é atravessado por desigualdades sociais e violências.
“A minha motivação nasceu quando eu percebi que, antes, eu levava 30 minutos - às vezes até mais que isso - para chegar à Beira-Mar ou outros pontos turísticos. Quando eu olhei para o território onde morava, vi que, em cinco minutos, estava com os pés na areia. Aqui tem muita cultura, história, mas também é um local frágil no quesito social. Então pensei: ‘por que não estudo isso?’”, relembra Samuel.
Conheça a proposta de revitalização do Pirambu
O resultado foi um projeto de reparação histórica divido em dois volumes. No primeiro, o Pirambu é revisitado inteiramente, desde à sua formação até a configuração atual. Depois, o autor expõe as principais características do bairro, como a forte ligação entre a cidade e o mar.
Samuel cita que muito do material adquirido para a análise do Pirambu foi cedido pelo Centro Popular de Documentação do Grande Pirambu, por outras arquitetas e urbanistas, e em conversas realizadas com Fábio Lessa, diretor do Instituto Cai Cai Balão.
Baseado nessas leituras, o trabalho então guina para a apresentação de uma proposta de reparação urbana, que repensa a orla da praia com a construção de equipamentos culturais, pontos turísticos sofisticados e estruturas pensadas para a permanência da população e vegetação locais.
“Eu vi que tinha muitas questões ligadas à história da paisagem do Pirambu. Antigamente aqui tinham dunas, manguezais, tinha toda uma vegetação nativa que foi degradada pela urbanização”, explica.
(Diário do Nordeste)



