5% dos medalhistas de olimpíadas aprovados na UFC são de escola pública do CE

 

 Três jovens estudantes cearenses de destaque: um segura um protótipo de foguete, o central cruza os braços e o terceiro exibe um certificado de premiação da Olimpíada Brasileira de Matemática.

Em 2026, a Universidade Federal do Ceará (UFC) adotou uma nova alternativa para ingresso na instituição: o edital de acesso por meio das olimpíadas científicas. Nesta semana, o resultado final mostrou que 73 alunos foram aprovados e outros 153 estão classificáveis. Mesmo sem reserva de vagas por cotas, 45% dos aprovados são de escola pública.

Complementar ao Sistema de Seleção Unificada (Sisu), a novidade visa ampliar as oportunidades para estudantes que se destacam pelo talento e pela dedicação ao conhecimento.

A iniciativa também fortalece a cultura científica e contribui para a formação de profissionais e pesquisadores. As olimpíadas de conhecimento são competições intelectuais entre estudantes que estimulam a excelência acadêmica e a formação científica dos alunos.

Para os estudantes que conquistaram uma vaga pelo edital, essa modalidade valoriza a participação nas competições e estimula os estudantes a encontrarem ações para além do currículo escolar.

Atividades extracurriculares, as olimpíadas do conhecimento incentivam o aprimoramento dos alunos nas áreas que possuem mais afinidade e também auxiliam na transformação de vidas.

É o que acredita Leonardo Ramos, cearense de 18 anos, egresso da Escola Estadual de Educação Profissionalizante Adriano Nobre, de Itapajé, a 128 km de Fortaleza.

“As olimpíadas incentivam que o aluno desenvolva autonomia em pesquisar o que tem que estudar, aprender por conta própria, quanto instiga o aluno pela curiosidade”, diz Leonardo Ramos, ex-aluno da rede pública.

Aprovado em Medicina na UFC pelo Sisu e em Física pelo edital, ele conta que conheceu o universo científico ainda no ensino fundamental, quando fez a Olimpíada Brasileira de Astronomia e Aeronáutica (OBA).

“Nunca havia tido nenhum contato com esse tipo de coisa. Até porque na escola fundamental a gente só tinha aula de ciências. E eu sempre gostei da matéria de ciências, só que era uma forma bem não aprofundada. Quando conheci a astrofísica, por conta da OBA, foi quase uma paixão à primeira vista”, diz

O jovem passou a se encantar com as constelações, planetas, luz e outros aspectos que envolvem a astro ciência. “Primeiro ganhei bronze e depois fui estudando, fazendo ouro no oitavo, nono e nos três anos do ensino médio”, diz. 

Com duas opções de curso em áreas diferentes, Leonardo diz que escolheu a Medicina pelas amplas possibilidades do mercado de trabalho. “Infelizmente, a pesquisa no Brasil não é tão valorizada”, ressalta. 

“Acho que as olimpíadas de conhecimento já desde a infância despertam essa curiosidade, essa vontade de ser um estudioso, um cientista no Brasil. Vou para a Medicina ainda com um olhar a mais para tentar ir para o laboratório”, diz. 

Essa transformação da vida por meio das olimpíadas também aconteceu com Nathanael Santos Ferreira, de 17 anos, ex-aluno da Escola de Ensino Médio Plácido Aderaldo Castelo, em Caririaçu, no Cariri. O jovem iniciou a trajetória com a Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP), no 9º ano. 

Jovem sorridente segura certificado e usa medalha em frente a painel da 19ª OBMEP. O documento confirma a premiação de Nathanael dos Santos Ferreira com medalha de bronze na Olimpíada de Matemática.

Legenda: Em 2025, Nathanael Ferreira conquistou a medalha de prata nacional e de ouro regional da OBMEP.

DN

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