Aos 8 anos, cearense superdotado é premiado em olimpíada internacional

 

 Augusto de Paula Bezerra alcançou a medalha de bronze na olimpíada Copernicus Global Round 2026
Augusto de Paula Bezerra alcançou a medalha de bronze na olimpíada Copernicus Global Round 2026

A medalha de bronze na olimpíada Copernicus Global Round 2026, recebida no último domingo, 25, representou mais um passo na trajetória do cearense Augusto de Paula Bezerra. Aos 8 anos, sua participação internacional em Houston (Texas), nos Estados Unidos, recebeu apoio do Governo do Ceará.

A rodada global da competição de ciências aconteceu após seleção nacional. Ainda com sete anos, Augusto foi classificado durante a primeira prova da Copernicus, realizada em setembro de 2025.

Ao relembrar os primeiros anos do filho, Vaneuda de Paula relata que Augusto já demonstrava “habilidades acima da média” desde bebê. Com um ano e oito meses, já sabia o alfabeto completo e, aos dois anos, iniciou o processo de leitura.

“No infantil quatro, a leitura dele estava extremamente avançada, nível de criança do quarto ano. Isso foi sinalizado pela professora, logo no início do ano, e foi nesse momento que ele realmente demonstrou uma recusa escolar, onde se negava a ficar na sala de aula, pois ele sabia o que estava sendo ensinado, e isso lhe causava um grande sofrimento”, descreve.

Nas escolas em Fortaleza, a mãe explica que Augusto enfrentou grandes desafios, incluindo violência escolar. A decisão da família foi morar em um sítio no município de Baturité, a 85,05 km da Capital, para proporcionar ao filho mais qualidade de vida.

“Na busca de crianças semelhantes a ele, como forma de pertencimento, o matriculei em um clube de olimpíadas voltado para o ensino fundamental. No clube, a gente começou a entrar nesse mundo e ele realizou várias olimpíadas nacionais e internacionais”, explica Vaneuda. “No total foram 20 olimpíadas, onde ele medalhou em 16”.

Uma área que sempre chamou a atenção de Augusto foram as Ciências: compreender o funcionamento do mundo e como as coisas são feitas. A predileção veio a partir de livros de ciências e vídeos voltados à temática, englobando astronomia, física, química e biologia.

Aos 8 anos, cearense é premiado em olimpíada internacional: vivências na competição

Augusto de Paula Bezerra participou da rodada global da competição de ciências após seleção nacional
Augusto de Paula Bezerra participou da rodada global da competição de ciências após seleção nacional Crédito: Reprodução/Arquivo Pessoal

A história do cearense, que estuda na rede municipal de ensino de Baturité, foi apoiada pelo Governo do Estado e pelo próprio município, com a cobertura de passagens, inscrições, ajuda de custo, hospedagem e traslado.

“As olimpíadas representaram pro Augusto pertencimento. O importante não são as medalhas, mas a vivência, fortalecendo a autoestima que uma criança com altas habilidades perde por ser diferente”, diz a mãe.

No ambiente escolar, Vaneuda aponta um cotidiano de dificuldades, além da recusa de adaptações das instituições de ensino: “O sistema muitas vezes é engessado, eles se vêem à margem e isso causa muito sofrimento, pois são apenas crianças que sentem o mundo com muita intensidade”.

É no universo das olimpíadas que vê o filho e outras crianças receberem o acolhimento e o estímulo que necessitam. Como Augusto é fluente em inglês, o processo de comunicação com as outras delegações também foi facilitado, permitindo trocas de presentes entre as crianças.

“Foi muito legal, porque as crianças iam explicar a lembrança que traziam do seu país e o Augusto também pôde explicar o que a gente levou para as outras crianças, então houve essa troca e isso foi um dos pontos altos na olimpíada”, destaca.

A organização do evento também proporcionou passeios científicos, voltados à temática da olimpíada. Em uma das visitas, feita à Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço (Nasa), viram de perto o foguete Saturno V e uma réplica do ônibus espacial.

O Povo

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