Em torno de Ciro, oposição no Ceará afunila nomes para disputar o Senado apesar de alianças incertas


 



A oposição no Ceará começa a afunilar os nomes que devem disputar as duas vagas ao Senado em 2026. Apesar de um cenário ainda indefinido de composições partidárias e de negociações que orbitam em torno de uma eventual candidatura de Ciro Gomes (PSDB) ao Governo do Estado, alguns pré-candidatos já admitem que devem entrar na disputa, enquanto outros perderam força nos bastidores.

Diferentemente da base governista, que reúne quase uma dezena de pré-candidatos ao Senado, a oposição trabalha hoje com um grupo mais enxuto, formado majoritariamente por nomes experientes e com histórico eleitoral consolidado. Ainda assim, o principal desafio é construir unidade em um campo político heterogêneo, que reúne desde ex-integrantes de governos estaduais até aliados de primeira ordem do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Conheça os nomes que se apresentam como pré-candidatos da oposição cearense e como eles aparecem na disputa.

General Theophilo (Novo)

O que há de novo

No último dia 31 de janeiro, General Theophilo voltou a lançar sua pré-candidatura ao Senado, desta vez na região do Cariri. Na ocasião, recebeu apoio do correligionário e pré-candidato ao Governo do Ceará, senador Eduardo Girão. O ato integra uma série de agendas de lançamento que o político vem realizando em municípios cearenses desde o ano passado.

O que pesa a favor

Com 45 anos de carreira no Exército Brasileiro, Theophilo foi secretário nacional de Segurança Pública entre 2019 e 2020, durante o governo Jair Bolsonaro, período em que Sergio Moro comandava o Ministério da Justiça. No pleito deste ano, a segurança pública tende a ser um dos principais temas da campanha no Ceará, o que favorece seu discurso. Além disso, conta com o apoio direto de Eduardo Girão, atual ocupante da vaga oposicionista no Senado.

O que pesa contra

Theophilo nunca exerceu mandato eletivo. Em 2018, disputou o Governo do Ceará com apoio de lideranças como Tasso Jereissati, mas foi derrotado ainda no primeiro turno, quando Camilo Santana foi reeleito com quase 80% dos votos. Para 2026, o general não tem conseguido ampliar alianças além do Novo e não encontra apoio de lideranças do União Brasil e do PL, dois dos principais partidos da oposição no Estado.

O que diz o pré-candidato

Durante a agenda no Cariri, reafirmou os planos de representar o Ceará no Senado e declarou que “não negocia convicções” nem abre mão de suas “responsabilidades”. Nas redes sociais, concentra críticas à política de segurança pública do Estado e apresenta propostas para a área.

Em entrevista ao PontoPoder, o pré-candidato disse que tem viajado pelo Ceará "ouvindo e buscando a orientação do povo cearense". "No momento, não temos em visão nenhuma coligação, o Partido Novo é um partido independente e que luta. O Novo é, hoje, o único partido de direita. Então, nós estamos, junto com o senador Eduardo Girão, que é o nosso pré-candidato ao Governo, procurando divulgar os nossos ideais, os nossos princípios e os nossos valores", disse.

"Os apoios políticos virão no tempo certo, como consequência desse diálogo", acrescentou.

Pastor Alcides (PL)

O que há de novo

Mesmo após o revés imposto pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), que criticou a costura de aliança do PL com Ciro Gomes, lideranças oposicionistas voltaram a ensaiar aproximação nas últimas semanas. Em dezembro, deputados estaduais ciristas e bolsonaristas reafirmaram, na Assembleia Legislativa, apoio a Ciro ao Governo e a Pastor Alcides ao Senado.

No último fim de semana, durante homenagem a Ciro em Juazeiro do Norte, Alcides compôs a mesa e foi elogiado pelo ex-ministro, que declarou ter “muita vontade” de votar no deputado estadual.

O que pesa a favor

Alcides foi lançado pré-candidato ao Senado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, em março do ano passado, e também recebeu apoio de Ciro Gomes, sinalizando possível convergência entre bolsonaristas e ciristas. Seu principal cabo eleitoral é o filho, o deputado federal André Fernandes (PL), o cearense mais votado à Câmara em 2022 e um dos principais aliados de Bolsonaro no Estado. O parlamentar também possui base consolidada no eleitorado evangélico, segmento estratégico em disputas majoritárias.

O que pesa contra

Apesar de atuar como elo entre diferentes grupos da oposição, a pré-candidatura enfrenta impasses internos. Quando seu nome ganhava força, Michelle Bolsonaro lançou a vereadora Priscila Costa (PL) como alternativa ao Senado, gerando tensão dentro do partido. Embora haja duas vagas em disputa, a definição pode exigir que um dos nomes seja preterido ou que a oposição ceda espaço a outra sigla para ampliar a frente.

O que diz o pré-candidato

Alcides reafirma a pré-candidatura e defende a unificação da oposição. Em Juazeiro do Norte, reiterou apoio a Ciro Gomes e afirmou ter recebido aval do filho para participar do evento.

Priscila Costa (PL)

O que há de novo

Priscila Costa mantém a pré-candidatura ao Senado, mesmo isolada de parte das articulações da oposição no Ceará. Seu nome segue sendo impulsionado principalmente pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Diferentemente de outros oposicionistas, a vereadora não tem participado de movimentos de aproximação com Ciro Gomes.

O que pesa a favor

Michelle Bolsonaro é a principal fiadora da pré-candidatura. Foi ela quem lançou o nome da vereadora e passou a criticar publicamente a aproximação entre bolsonaristas e Ciro Gomes. Priscila também possui base eleitoral consolidada no eleitorado conservador, tendo sido a vereadora mais votada de Fortaleza nas últimas eleições.

O que pesa contra

Apesar do respaldo de Michelle, a vereadora não conta com o mesmo apoio entre lideranças locais do PL. Deputados federais e estaduais reconhecem sua legitimidade para disputar a vaga, mas fazem movimentos mais contundentes em favor de Pastor Alcides. Além disso, parte da oposição defende que uma das vagas ao Senado seja destinada a outra sigla, como o União Brasil, o que reduz o espaço de Priscila nas articulações.

O que diz a pré-candidata

Nas redes sociais, reafirma a pré-candidatura, destaca o desempenho eleitoral recente e reforça a proximidade com Michelle Bolsonaro. “Precisamos de um Senado que sirva ao povo e tenha coragem e voz para se levantar contra políticos corruptos e ministros injustos”, afirmou em publicação recente.

Capitão Wagner (União Brasil)

O que há de novo

Em passagem por Juazeiro do Norte no último fim de semana, Ciro Gomes sinalizou a possibilidade de dobradinha entre Pastor Alcides e Capitão Wagner ao Senado. Além de declarar voto em Alcides, dirigiu-se a Wagner como “meu senador” e fez gesto de continência — movimentos mais explícitos até agora em favor de sua eventual candidatura.

Nas redes sociais, o ex-deputado compartilhou o vídeo e escreveu: “Unidos pelo resgate do Ceará! Chegou a hora da mudança”.

O que pesa a favor

Wagner tem trajetória consolidada em disputas proporcionais, com votações expressivas para a Câmara Municipal de Fortaleza, Assembleia Legislativa e Câmara dos Deputados. Sem mandato atualmente, o ex-deputado preside o União Brasil no Ceará e lidera um grupo político estruturado. A legenda, cobiçada pelo governo estadual, segue sob comando oposicionista. Além disso, Wagner tem forte identificação com a pauta da segurança pública, tema que tende a centralizar o debate eleitoral.

O que pesa contra

Apesar do desempenho nas eleições proporcionais, Wagner acumula derrotas em disputas majoritárias, tendo concorrido sem sucesso à Prefeitura de Fortaleza e ao Governo do Estado. A eleição ao Senado, embora para cargo legislativo, é majoritária. Soma-se a isso a indefinição do União Brasil no Ceará, já que a sigla é alvo de investidas do governo estadual e vive uma disputa interna sobre seu posicionamento. Uma eventual aproximação com a base governista enfraqueceria o projeto oposicionista.

O que diz o pré-candidato

Em entrevista ao PontoPoder, Wagner afirmou que seu nome passou a ser defendido por lideranças oposicionistas, algo que classificou como inédito em sua trajetória. Disse ainda que uma eventual candidatura já teria aval de Ciro Gomes, do presidente nacional do União Brasil, Antônio Rueda, e do vice-presidente da legenda, ACM Neto. Também admitiu a possibilidade de dobradinha com o PL, tendo Pastor Alcides como parceiro de chapa.

Roberto Cláudio (União Brasil)

O que há de novo

Apontado por Ciro Gomes e aliados como nome certo na disputa de 2026, Roberto Cláudio admite que deve concorrer, mas mantém cautela sobre qual cargo disputará. Em evento recente, Ciro indicou a possibilidade de uma chapa majoritária com ele, Roberto Cláudio e Capitão Wagner, sem indicar quem estaria na disputa pelo Governo, pelas duas vagas para o Senado e pela Vice-Governadoria. 

O que pesa a favor

Ex-prefeito de Fortaleza por dois mandatos, Roberto Cláudio também foi deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa. A experiência administrativa e a capacidade de articulação política fortalecem seu nome. Ele foi um dos principais articuladores da aproximação entre ciristas e setores do bolsonarismo no Ceará, ampliando seu trânsito dentro da oposição e se consolidando como peça estratégica na construção da unidade do grupo.

O que pesa contra

Embora manifeste disposição para disputar a eleição, o ex-prefeito não define qual cargo pretende concorrer, enquanto outros aliados avançam nas articulações. Ciro Gomes é o nome mais defendido ao Governo, Pastor Alcides consolida espaço no PL e Capitão Wagner se movimenta ao Senado.

A indefinição reduz o espaço de acomodação e pode levá-lo a enfrentar uma disputa interna caso o desenho da chapa avance sem sua centralidade.

O que diz o pré-candidato

No 1º Encontro Regional da Oposição, em Juazeiro do Norte, o político afirmou que as definições sobre a chapa devem ocorrer até julho. Em entrevista ao PontoPoder, no fim do ano passado, ele declarou que “mais importante do que discutir nomes é garantir que a oposição esteja unida e com a chapa mais forte possível”.



(Diário do Nordeste)

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