Justiça manda soltar 89 torcedores presos após briga entre torcidas organizadas no Clássico-Rei

Justiça manda soltar 89 torcedores presos após briga entre torcidas organizadas no Clássico-Rei
Foto: Reprodução
 




A Justiça Estadual determinou a soltura de 89 torcedores que haviam sido presos após confrontos entre torcidas organizadas durante o Clássico-Rei entre Ceará e Fortaleza, realizado no dia 8 de fevereiro, em Fortaleza. A decisão foi proferida nesta segunda-feira (23) pelo juiz André Teixeira Gurgel, da 7ª Vara Criminal.

A medida beneficia os autuados que não possuem antecedentes criminais ou infracionais e que não respondem a inquéritos policiais ou ações penais em curso. Apesar da revogação das prisões preventivas, os torcedores deverão cumprir medidas cautelares impostas pela Justiça.

Entre as determinações estabelecidas, está a proibição de frequentar estádios de futebol na Capital cearense pelo período de seis meses. Além disso, os torcedores não poderão permanecer em um raio de cinco quilômetros dos estádios em dias de jogos do Ceará e do Fortaleza durante o mesmo prazo.

A decisão também determina a proibição de se ausentar da comarca enquanto o processo estiver em andamento, salvo mediante autorização judicial. Os investigados deverão comparecer periodicamente à Coordenadoria de Alternativas Penais, pelo prazo de seis meses, para informar e justificar suas atividades, sendo o primeiro comparecimento realizado no ato da soltura.

A Secretaria do Esporte do Estado do Ceará (Sesporte) foi oficiada para adotar medidas de controle e impedir o acesso dos torcedores autuados aos estádios.

Na decisão, o magistrado destacou que não há elementos que justifiquem a manutenção das prisões preventivas, por não haver, segundo ele, ameaça séria à ordem pública nem risco à instrução criminal ou à aplicação da lei penal.

Briga de torcidas organizadas no Clássico-Rei

Os confrontos ocorreram antes e depois do primeiro Clássico-Rei de 2026, realizado no dia 8 de fevereiro, em Fortaleza. A série de brigas entre torcidas rivais resultou na captura de 357 pessoas em flagrante, número considerado recorde em operações relacionadas a jogos de futebol no Ceará.

Do total de capturados, 241 eram adultos e 116 adolescentes. Os maiores de idade responderão por crimes como lesão corporal, associação criminosa, desobediência, corrupção de menores e tumulto, conforme a Lei Geral do Esporte. Já os adolescentes foram autuados por atos infracionais análogos a crimes como lesão corporal, dano, briga entre torcidas e integração a organização criminosa.

A maioria dos detidos teve a prisão mantida inicialmente. Diante do elevado número de flagrantes, o Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE) designou magistrados para reforçar as audiências de custódia. O Ministério Público do Ceará (MPCE) também intensificou a atuação de promotores para dar suporte à alta demanda registrada nos dias 9 e 10 de fevereiro.

Fórum Clóvis Beviláqua registrou tumulto durante audiências

No dia 9 de fevereiro, o Fórum Clóvis Beviláqua, em Fortaleza, registrou intensa movimentação durante as audiências de custódia dos torcedores presos. Parentes e amigos dos detidos se concentraram no local desde as primeiras horas da manhã em busca de informações, o que gerou aglomeração e momentos de tensão nas áreas internas e externas do prédio.

Cerca de 100 presos foram transferidos da Delegacia de Capturas (Decap) para o fórum com o objetivo de acelerar os procedimentos judiciais. Enquanto na Decap há apenas um juiz responsável pelas audiências, no Fórum Clóvis Beviláqua foram mobilizados sete magistrados para dar maior celeridade às análises.

Mesmo com o esforço concentrado, não foi estabelecido prazo para a conclusão de todos os procedimentos relacionados aos presos.

Operação policial e apreensões

Segundo a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS-CE), os confrontos teriam sido previamente combinados por grupos de torcedores, o que permitiu a atuação preventiva das forças de segurança.

O coordenador da Coordenadoria de Planejamento Operacional, Harley Filho, informou que o trabalho de inteligência possibilitou o mapeamento de pontos estratégicos escolhidos pelos envolvidos, geralmente afastados da Arena Castelão, com o objetivo de evitar a presença policial.

Durante as operações, a Polícia Militar do Ceará (PMCE) apreendeu artefatos explosivos artesanais, socos-ingleses, drogas, ripas de madeira, celulares e veículos. O episódio deixou pessoas feridas, que precisaram de atendimento médico.

As investigações seguem sob responsabilidade do Departamento de Repressão ao Crime Organizado (DRCO), que continua com as oitivas e a análise dos materiais apreendidos.

Mesmo após reuniões prévias realizadas pela Polícia Militar com representantes de torcidas organizadas para tentar evitar confrontos, os episódios de violência voltaram a ocorrer, mobilizando grande aparato de segurança e resultando em centenas de autuações.


(GC+)

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