Justiça reduz indenização a nutricionista apalpada em elevador para R$ 50 mil; vítima pediu R$ 300 mil

Nutricionista Larissa Duarte cobra R$ 300 mil de homem que a importunou em elevador de prédio comercial em Fortaleza. — Foto: TV Verdes Mares/Reprodução
Nutricionista Larissa Duarte cobra R$ 300 mil de homem que a importunou em elevador de prédio comercial em Fortaleza. — Foto: TV Verdes Mares/Reprodução
 




Em nova decisão, a Justiça do Ceará determinou que o empresário Israel Leal Bandeira Neto pague R$ 50 mil à nutricionista Larissa Duarte, que foi apalpada por ele em um elevador em fevereiro de 2024. O empresário havia sido condenado a pagar R$ 100 mil a nutricionista em fevereiro de 2025, mas os dois recorreram.

O valor de R$ 50 mil foi determinado após a nutricionista apelar da decisão da primeira instância da 21ª Cível de Fortaleza, de fevereiro de 2025. Na ocasião, a Justiça definiu uma multa de R$ 100 mil. Os advogados de Larissa recorreram e pediram R$ 300 mil, enquanto a defesa de Israel ofereceu pagar R$ 20 mil. 

Agora, em decisão de fevereiro de 2026, a 6ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça do Ceará negou os dois pedidos e fixou o valor em R$ 50 mil. A decisão é referente à ação cível contra o empresário. Ele também responde a um processo criminal, que está em segredo de justiça.

Na decisão, o desembargador Epitácio Quezedo afirmou que o valor anterior, de R$ 100 mil, "se mostra ligeiramente superior ao necessário para cumprir a dupla finalidade compensatória e punitivo-pedagógica de forma equilibrada".

O magistrado destacou que o novo valor de R$ 50 mil se mostra consonante com decisões semelhantes de Cortes superiores, como o STJ, e afirmou que a quantia "se revela suficiente para compensar a vítima pelo sofrimento e constrangimento, e, ao mesmo tempo, impor ao ofensor uma sanção que coíba a reiteração da conduta".

O caso aconteceu em fevereiro de 2024 e foi flagrado pelas câmeras de segurança de um prédio comercial em Fortaleza. O vídeo passou a circular em março do mesmo ano, quando a vítima denunciou a importunação sexual nas redes sociais.

Ao longo do processo cível em que pede compensação, os advogados de Larissa afirmaram que Israel era milionário e que a indenização deveria ser maior "para cumprir sua função pedagógica". A defesa de Israel, por sua vez, afirmou que devido às repercussões nacionais do episódio, o empresário ficou desempregado, está passando por dificuldades financeiras e precisou vender o carro.

Em nota, a defesa de Israel Bandeira celebrou a redução do valor e disse que a decisão mostrou "razoabilidade e proporcionalidade".

"Não obstante o acerto da decisão em promover significativa redução, a defesa esclarece que interporá os recursos cabíveis às instâncias superiores visando à adequação final do valor fixado. Os precedentes jurisprudenciais demonstram que casos de natureza semelhante têm resultado em condenações inferiores a R$ 20.000,00", disse o escritório de advocacia Queiroz Bastos.

O g1 procurou os advogados de Larissa Duarte e aguarda resposta.

Processo criminal

Em março do ano passado, a Justiça aceitou denúncia do Ministério Público e o empresário virou réu no processo pelo crime de importunação sexual.

Relembre o caso

No vídeo, ele aparece parado ao lado de Larissa e sem fazer contato com ela enquanto eles descem juntos. Quando a vítima está saindo do elevador, o empresário se move para tocar as nádegas dela.

A nutricionista partilhou a situação na própria rede social. As imagens passaram a circular com frequência em grupos e outros perfis. Nos relatos, a vítima contou que havia terminado de trabalhar quando pegou o elevador para deixar o prédio comercial.



(g1) 

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