Camilo e Lula são maiores cabos eleitorais; Bolsonaro é quem mais atrapalha

 

AFP, Samuel Setubal, Fernanda Barros e João Filho Tavares



O ministro da Educação, Camilo Santana (PT), e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) são os padrinhos políticos com maior capacidade de influenciar favoravelmente o voto entre os eleitores cearenses, mostra pesquisa Datafolha. O impacto mais negativo, por outro lado, é do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O levantamento foi contratado pelo O POVO.

O Datafolha avaliou o efeito do posicionamento de cinco líderes políticos envolvidos direta ou indiretamente nas eleições no Ceará. Além de Camilo, Lula e Bolsonaro, foi medido também o impacto do senador Cid Gomes (PSB) e do ex-governador Tasso Jereissati (PSDB).

Para todos os cinco, pelo menos um terço dos eleitores diz que o apoio tem potencial de fazê-los deixar de votar no candidato por tê-los como aliados.

Impacto dos apoios

Qual a influência de Lula?

Em relação a Lula, 41% dos entrevistados afirmam que votariam com certeza em quem ele apoiar para governador do Ceará. O índice é quase igual, e tecnicamente empatado, ao dos 39% que afirmam que não escolheriam de jeito nenhum aquele em cujo palanque ele estiver no Estado. Outros 19% dizem que o apoio de Lula talvez os faça optar pelo apadrinhado.

Qual o impacto do apoio de Camilo?

Para o ministro Camilo Santana, 39% afirmam que optariam certamente por quem ele apontar. O percentual dos que dizem que talvez fossem levados a votar de acordo com a orientação do ex-governador cearense é maior que o de Lula e chega a 27%. E o índice dos que afirmam que não respaldariam de maneira alguma quem o ministro propuser é de 33%, menor que o do presidente da República.

Como Cid Gomes influencia os votos?

O potencial de impacto positivo da aliança com Cid Gomes é menos garantido. Há 27% de eleitores ouvidos pelo Datafolha segundo os quais a adesão do senador os levaria a votar com certeza no indicado. Outros 32% declaram que talvez se influenciassem positivamente devido a essa convergência. Enquanto 41% não votariam de jeito nenhum em alguém sugerido por ele, conforme responderam ao Datafolha.

Cid Gomes é um dos personagens mais complexos das eleições de 2026 no Ceará. Ele é irmão do provável postulante de oposição a governador, Ciro Gomes (PSDB). Porém, tem reafirmado compromisso de estar no palanque do atual governador, Elmano de Freitas (PT).

Os irmãos estão afastados politicamente desde 2022. O mandato de Cid se encerra em fevereiro do próximo ano, mas ele tem repetido que não pretende concorrer a um novo mandato, apesar da insistência de aliados. Interlocutores de Ciro também fizeram tentativas de atraí-lo para o palanque da oposição.

Qual o efeito do apoio de Tasso?

O ex-governador e ex-senador Tasso Jereissati (PSDB) tem impacto muito parecido com o de Cid. Os que afirmam que votariam com certeza em quem ele preferir são 24%. Há 32% segundo os quais a simpatia do líder tucano talvez os levasse a optar pelo candidato. E, para 43% dos ouvidos na pesquisa, a aliança com Tasso seria motivo para não votarem em determinado nome.

Qual o peso do apoio de Bolsonaro?

O ex-presidente Jair Bolsonaro tem o efeito mais negativo entre os eleitores cearenses para aquele a quem se alia. Para 64%, o apoio dele faria com que não respaldassem o candidato. Há, por outro lado, 23% que responderam que escolheriam com certeza aquele que tiver o ex-presidente com ele. Para 13%, o acerto com Bolsonaro talvez os fizesse votar no escolhido.

O percentual de impacto negativo de Bolsonaro é o único a superar a soma dos índices dos que afirmam que votariam com certeza em quem ele apoiar e o dos que talvez votassem.

Jair Bolsonaro encontra-se atualmente preso na Sala de Estado Maior do 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF), conhecida como Papudinha, dentro do Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília. O ex-presidente foi condenado pela 1ª turma do Supremo Tribunal Federal (STF) no ano passado a 27 anos e 3 meses de prisão por acusação de envolvimento em tentativa de golpe de Estado.

Como os apoios impactam eleitores de Ciro e Elmano?

Por que Elmano aposta nas alianças?

O potencial de alianças pode ser um alento para o governador Elmano de Freitas, pré-candidato à reeleição. Os três cabos eleitorais de maior influência positiva que se projeta estão ao lado dele.

Tasso Jereissati, por sua vez, se compõe com Ciro Gomes. Quanto a Bolsonaro, o tucano espera se coligar ao partido dele, o PL. A legenda enfrenta divisões internas, o que levou a conflito público com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que tem feito questionamentos ao acordo com Ciro.

Anotações encontradas com o pré-candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL) indicam o entendimento com Ciro no Ceará. Em abril, ele tem visita prevista ao Ceará, na expectativa de sacramentar o acordo. Porém, o tucano já sinalizou que não irá apoiar Flávio para presidente da República. Aliados mencionam que haverá palanque dividido entre diferentes candidatos a presidente.

Como a pesquisa foi feita?

O Datafolha ouviu 816 pessoas com 16 anos ou mais, distribuídas em 35 municípios de todas as regiões do Ceará. As entrevistas foram realizadas nos dias 16, 17 e 18 de março, segunda a quarta-feira da semana passada.

A margem de erro máxima para o total da amostra é de 3 pontos percentuais, para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%.

A pesquisa foi feita com abordagem pessoal em pontos de fluxo populacional. A checagem cobriu, no mínimo, 20% do material de cada entrevistador.

A pesquisa foi contratada pelo O POVO e está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com os números CE-07925/2026 e BR-05068/2026.



(O Povo)

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