Indústria e universidade criam tijolo sustentável mais barato





Está sendo idealizado um protótipo de tijolo sustentável produzido a partir da combinação de vidro descartado e espuma de poliuretano, material comum em eletrodomésticos como geladeiras.

A ação é uma parceria entre a Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab) e a indústria cearense Mundo Limpo, localizada em Pacatuba, Região Metropolitana de Fortaleza (RMF).

O projeto busca dar destino a dois resíduos que ainda possuem baixa taxa de reciclagem no Ceará.

Segundo a empresária Maira Helena Botelho, diretora da indústria Mundo Limpo, parte desses materiais acaba sendo enviada para aterros sanitários ou lixões, ocupando grande volume e gerando impactos ambientais e sociais.

"O objetivo é reduzir o impacto desses resíduos no meio ambiente e, ao mesmo tempo, criar soluções economicamente viáveis para o mercado", afirma Botelho.

Ela explica que o poliuretano, por exemplo, é um material leve, volumoso e de difícil reciclagem, enquanto o vidro descartado frequentemente representa risco para catadores e trabalhadores da reciclagem.

A proposta do novo produto é integrar esses materiais à cadeia produtiva da construção civil.

Além do impacto ambiental, o projeto também irá trazer ganhos econômicos. O poliuretano, segundo o estudo, pode funcionar como um agregado mais barato na composição do tijolo em comparação com outros materiais tradicionalmente utilizados, como o isopor.

Universidade irá ser responsável por análises de desempenho

O protótipo do produto já passou por etapas iniciais de desenvolvimento, testes práticos e avaliação preliminar de viabilidade mercadológica.

Agora, a Unilab entra no projeto para conduzir os estudos laboratoriais e validar tecnicamente o material.

O pós-doutor em Engenharia Química, professor e pesquisador da Unilab, José Cleiton Sousa dos Santos, explica que a Universidade ficará responsável por análises de desempenho.

Além disso, a instituição também irá se comprometer com a parte de segurança e certificação do produto.

"Verifica se a nova composição atende às mesmas normas técnicas exigidas para materiais convencionais da construção civil", complementa Cleiton, que também é vice-coordenador do programa de pós-graduação em Energia e Ambiente (PGEA) da instituição.

Após a fase de testes, o material também será avaliado por possíveis clientes e parceiros industriais.

A expectativa é que, uma vez certificado, o produto possa chegar ao mercado no início de 2027, quando deve começar a produção comercial.

Botelho reforça que um dos pilares do projeto é a possibilidade de replicação do modelo produtivo e que a ideia é que a tecnologia possa ser adotada por pequenas empresas do setor de construção civil em diferentes regiões do País.

"Não basta apenas criar a solução. É necessário que ela tenha um destino final viável economicamente e que possa ser replicada", finaliza a diretora-executiva.

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