Irã confirma morte de Ali Larijani, chefe de segurança do regime

 




O chefe de segurança do Irã, Ali Larijani, foi morto em um ataque aéreo norte-americano-israelense enquanto visitava sua filha na periferia leste de Teerã, informou a agência de notícias semioficial iraniana Fars nesta terça-feira (17).

O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, havia dito mais cedo que ele havia sido morto em um ataque israelense.

O veterano político iraniano Ali Larijani era uma das figuras mais poderosas da República Islâmica, arquiteto da política de segurança e conselheiro próximo do aiatolá Ali Khamenei até a morte deste último, em um ataque aéreo no final do mês passado.

Comandante da Guarda Revolucionária durante a guerra Irã-Iraque na década de 1980, ele se tornou diretor da rede nacional de televisão do Irã antes de servir como presidente do Conselho Supremo de Segurança Nacional, antes e depois de seu período como membro do Parlamento, onde foi presidente por 12 anos.

Seu papel como figura de destaque no círculo interno de Ali Khamenei no Irã lhe deu responsabilidades por um amplo portfólio que incluía negociações nucleares com o Ocidente, o gerenciamento das relações regionais de Teerã e a repressão de distúrbios internos.

Larijani foi renomeado chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional no ano passado, após uma guerra aérea de 12 dias lançada por Israel.

Ele trabalhou para evitar um ataque ao Irã até pouco antes do início da guerra.

"Em minha opinião, essa questão tem solução", disse Larijani à televisão estatal de Omã no início deste ano, referindo-se às conversações com os Estados Unidos (EUA).

"Se a preocupação dos norte-americanos é que o Irã não avance para a aquisição de uma arma nuclear, isso pode ser resolvido."

De acordo com uma declaração do governo dos EUA detalhando as sanções contra ele e outras autoridades em resposta à repressão, Larijani estava na linha de frente da repressão.

Grupos de direitos humanos afirmam que milhares de pessoas foram mortas na repressão, os piores distúrbios internos no Irã desde a Revolução Islâmica.

Veja a seguir, alguns fatos sobre Larijani:

  • Larijani nasceu em Najaf, Iraque, em 1958 e veio de uma família influente. Ele era irmão do aiatolá Sadeq Amoli Larijani, que preside o Conselho de Discernimento, um órgão que faz a mediação em disputas entre o Parlamento do Irã e o Conselho Guardião, um painel de clérigos e juristas que supervisiona as eleições e a legislação.
  • Ali Larijani foi chefe do monopólio estatal de radiofusão do Irã por 10 anos antes de deixar o cargo em 2004 para se tornar assessor de segurança de Khamenei, a autoridade máxima do país.
  • Ex-membro da elite da Guarda Revolucionária do Irã, Larijani concorreu na corrida presidencial de 2005. Ele ficou bem atrás de vários outros candidatos, inclusive Mahmoud Ahmadinejad, que acabou vencendo.
  • Em 2005, Larijani foi nomeado secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, o principal órgão de segurança do Irã.
  • Ele adotou uma linha dura no caso nuclear quando foi nomeado em 2005 como principal negociador nuclear. Ele disse que se o Irã aceitasse os incentivos que estavam sendo oferecidos pela União Europeia na época em troca da desistência de seu ciclo de combustível nuclear, seria como trocar "uma pérola por uma barra de chocolate".
  • Larijani deixou o cargo de principal negociador nuclear do Irã em outubro de 2007, durante o governo de Ahmadinejad.
  • Um conservador moderado do establishment clerical, Larijani foi presidente do Parlamento de 2008 a 2020.
  • O órgão de fiscalização eleitoral linha-dura do Irã rejeitou a proposta de Larijani de concorrer às eleições presidenciais de 2021 e 2024.
  • Em 2020, Khamenei nomeou Larijani como seu conselheiro político e como membro do Conselho de Discernimento.


(EBC)

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