Lula acaba com auxílio-reclusão para famílias de presos ligados a facções

Lula acaba com auxílio-reclusão para famílias de presos ligados a facções
Foto: Reprodução


 




O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou, nesta terça-feira (24), a chamada Lei Antifacção, que estabelece medidas mais rigorosas no combate ao crime organizado no país. A nova legislação prevê o aumento de penas para integrantes de organizações criminosas e milícias, além de ampliar mecanismos para apreensão de bens e restrições a benefícios legais.

O texto sancionado foi aprovado no fim de fevereiro pela Câmara dos Deputados e define como facção criminosa qualquer grupo de três ou mais pessoas que utilize violência, grave ameaça ou coação para controlar territórios, intimidar populações ou autoridades, bem como atacar serviços, infraestrutura ou equipamentos essenciais.

A nova lei também impõe restrições adicionais aos direitos de integrantes dessas organizações, incluindo limitações à progressão de pena e à concessão de benefícios como anistia, indulto, fiança e liberdade condicional.

Novas regras ampliam punições e restringem benefícios

A legislação estabelece que lideranças de facções criminosas deverão cumprir pena ou prisão preventiva em presídios de segurança máxima. Além disso, a progressão de regime se torna mais rigorosa, podendo exigir, em alguns casos, o cumprimento de até 85% da pena em regime fechado.

Outro ponto previsto é a suspensão do direito de voto para detentos que, mesmo sem condenação definitiva, tenham associação comprovada com organizações criminosas. A norma também determina que esses indivíduos não terão acesso a benefícios legais tradicionalmente concedidos a presos.

Durante a sanção, Lula destacou a necessidade de maior efetividade nas prisões realizadas pelas forças de segurança. Segundo o presidente, há queixas de governadores sobre a soltura rápida de suspeitos mesmo após ações policiais com provas consistentes.

“É preciso que quando a polícia prenda com provas concretas, o cidadão não possa ser dono da sua própria pena e punição”, afirmou o presidente durante evento reservado que contou com a presença de ministros e do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta.

Lei Antifacção sancionada por Lula endurece combate ao crime organizado

O presidente também afirmou que a nova legislação busca atingir lideranças do crime organizado, especialmente aquelas com maior poder econômico. Segundo ele, o objetivo é responsabilizar os chamados “magnatas do crime”, que atuam de forma estruturada e com alto poder financeiro.

Lula ressaltou ainda a capacidade investigativa do país, destacando o trabalho da Polícia Federal no combate ao tráfico de drogas, armas e à lavagem de dinheiro. O presidente mencionou, como exemplo, a Operação Carbono, que resultou na apreensão de grande volume de combustível ligado a esquema criminoso.

No contexto internacional, Lula afirmou ter mantido diálogo com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para cooperação no combate a organizações criminosas que mantêm ativos no exterior. Ele citou o caso de um empresário investigado por sonegação fiscal que reside fora do país, sem mencionar diretamente o nome de Ricardo Magro.

Medidas incluem bloqueio de bens e banco de dados nacional

A Lei Antifacção estabelece mecanismos mais amplos para apreensão de patrimônio vinculado ao crime organizado. As medidas incluem o bloqueio de bens, direitos e valores, abrangendo inclusive ativos digitais e participações societárias.

A legislação também permite a perda de bens independentemente de condenação criminal, por meio de procedimentos civis autônomos. Além disso, prevê a integração de dados entre órgãos de controle para facilitar o rastreamento de ativos.

Outro avanço é a criação do Banco Nacional de Dados de Organizações Criminosas, que reunirá informações sobre indivíduos e estruturas ligadas ao crime organizado. O sistema será integrado a bases estaduais e visa fortalecer a atuação coordenada dentro do Sistema Único de Segurança Pública.

Auxílio-reclusão e impactos para dependentes

A nova lei também altera regras relacionadas ao auxílio-reclusão. Dependentes de segurados do Instituto Nacional do Seguro Social presos provisoriamente ou em regime fechado ou semiaberto não terão direito ao benefício caso o detento seja integrante de organização criminosa, milícia ou grupo paramilitar.

O benefício, atualmente no valor de um salário mínimo, é destinado a dependentes de pessoas de baixa renda que contribuíram para a Previdência Social. Segundo Lula, a mudança busca desestimular a prática criminosa ao impactar diretamente o núcleo familiar do infrator.

Vetos presidenciais mantêm limites legais

O Palácio do Planalto informou que dois trechos do projeto aprovado pelo Congresso foram vetados. Um deles foi considerado inconstitucional por permitir a aplicação da lei a pessoas sem comprovação de vínculo com organizações criminosas.

De acordo com o secretário nacional de Segurança Pública, Chico Lucas, o veto garante a proteção de movimentos sociais, evitando que sejam enquadrados indevidamente nas regras da nova legislação.

Outro veto tratou da destinação de bens apreendidos do crime organizado. O texto original previa a divisão desses recursos com estados e o Distrito Federal, mas o governo manteve a regra atual, que destina esses valores exclusivamente à União, evitando impacto na arrecadação federal.

Com a sanção, a Lei Antifacção passa a integrar o conjunto de medidas legais voltadas ao enfrentamento do crime organizado no Brasil, com foco no endurecimento das penas, restrição de benefícios e ampliação de instrumentos de investigação e repressão.



(GC+)

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