Mais de 13 mil celulares furtados ou roubados foram recuperados e devolvidos aos proprietários no Ceará em quase dois anos do programa Meu Celular, lançado em abril de 2024. O balanço foi divulgado pelo governador Elmano de Freitas (PT) durante a entrega de um novo lote, com 1,2 mil aparelhos.
Os celulares foram entregues durante a manhã desta terça-feira, 3, na sede da Delegacia-Geral da Polícia Civil do Ceará (PC-CE), no Centro Integrado de Segurança Pública (Cisp), em Fortaleza.
Elmano afirmou que o programa é uma das estratégias que garantiram a redução de 43,5% nos crimes de roubos de celulares em janeiro e fevereiro deste ano.
Além disso, foi observada a redução nos crimes de receptação. “Na medida em que o celular é recuperado, as pessoas percebem e ficam mais cuidadosas na hora de comprar um celular, passam a ficar desconfiadas de que um celular barato demais pode ter roubado ou furtado. O mercado do crime vai sendo desestimulado”, disse Elmano.
A costureira Maria Lupecina Rosa Gomes, de 49 anos, conta que recebeu o celular do neto que, atualmente, está estudando em outro estado. Em novembro de 2024, o jovem teve o celular furtado dentro de um ônibus.
“Tiraram do bolso dele”, disse a costureira. Ela relembra o sentimento de tristeza pelo neto que, há dois meses, estava com o aparelho.
“Ele chorou muito, ficou muito triste. Eu também fiquei triste com sentimento de revolta. É uma mistura de sentimentos quando a gente passa por uma experiência dessa. O celular ia servir para ele estudar”, conta ela. Segundo Maria, o celular recuperado será enviado para o neto no Rio Grande do Norte.
O técnico em manutenção Diego Queiroz, 40, recebeu o celular da sua filha, de 14 anos, que foi alvo de roubo em abril de 2023. Ele conta que a ação criminosa aconteceu no momento em que estava com sua família na calçada de casa quando dois homens em uma motocicleta subtraíram dois aparelhos, o da filha e o da esposa.
Para ele, os sentimentos foram de medo e impotência, além do trauma que ficou. “Você não pode fazer nada”, disse. Apesar da situação, a família ainda tinha expectativa de recuperar os aparelhos. Na manhã desta terça-feira, apenas um foi entregue, mas ainda há o sonho de recuperar o celular da esposa.
Sem qualquer expectativa de recuperar o aparelho furtado em janeiro do ano passado, a empresária Francisca Pereira, 55 anos, relata a felicidade de ter o celular novamente em mãos.
Além da frustração por ter sido furtada, o que mais doeu foi a possibilidade de perder as fotos e vídeos no dispositivo, por medo de não conseguir acessá-los novamente
“Chorei tanto, mas chorei, mas chorei por causa porque tinha muitas fotos que eu queria, né? Que eu não tinha como recuperar porque eu não tinha feito nada, backup, não tinha feito nada. Tinha uma história aqui dentro”, comenta a empresária.
Ao longo do programa, foi identificado que a maioria dos celulares estavam com pessoas que adquiriram os aparelhos de maneira incorreta. Ao receber uma mensagem no aparelho, é orientado que a pessoa devolva o celular em uma delegacia.
“Na recepção, a gente avalia se a pessoa teve boa fé ou se ela teve má fé. Quando a pessoa devolve o celular, pressupõe-se que ali ela teve uma boa fé. Se ela não devolve, eu passo a achar que ela está de má fé”, explica o governador.
Nesse caso, a pessoa em posse de um celular alvo de um crime vai ter a possibilidade de ser alvo de mandado de busca e apreensão e, diante da força de retomada do celular, ela pode responder a um processo criminal pelo crime de receptação.
O titular da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS), Roberto Sá, reafirmou que o programa é uma estratégia que vem “dando certo”. “Das mais exitosas no Brasil, pelo volume de apreensão e de devolução, assim como a consequência disso, que é a redução do próprio delito”, disse.
Como se cadastrar no “Meu Celular”:
Para realizar o cadastro, o usuário deve criar um perfil no site meucelular.sspds.ce.gov.br, fornecendo dados pessoais, a marca, modelo, IMEI e, caso ainda possua, a nota fiscal do aparelho adquirido ou já utilizado.
Em situações de roubo, furto ou extravio, o usuário deve acessar a plataforma e registrar a ocorrência, clicando em um alerta que ativa a restrição do aparelho. O alerta é inicialmente pré-ativado por 72 horas, indicado pela cor laranja.
Para que o alerta seja efetivado, o usuário precisa formalizar um Boletim de Ocorrência (BO), incluindo o IMEI do dispositivo. Após a formalização, o alerta muda para a cor vermelha e permanece assim até a recuperação do aparelho.
(O Povo)



