Moradores de cidade cearense viajam mais de 200 km para perícia do INSS; veja lista de municípios

 




Em meados do último mês de fevereiro, Diacisa Noronha, de 65 anos, e o marido, de 70 anos, percorreram quase 300 km para acompanhar o filho deles em uma perícia médica. A família saiu de Parambu, onde mora, no Sertão de Inhamuns, até Juazeiro do Norte, no Cariri cearense, em um carro fretado por R$ 800, pago com recursos próprios.

A peregrinação forçada vivida pela família da idosa não é um caso isolado. Os moradores de Parambu que precisam passar pela perícia do INSS são obrigados a viajar, em média, mais de 210 km para ter acesso ao serviço. A cidade lidera o ranking cearense dos municípios com maiores distâncias médias entre o local de residência e o de realização das perícias médicas em 2025.

A análise foi realizada pelo Diário do Nordeste, a partir de dados do Ministério da Previdência Social obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI). Na solicitação, foram pedidos dados sobre perícias médicas contendo o município de residência do requerente e a cidade onde a consulta foi realizada, por ano, entre 2019 e 2025.

Esta é a segunda e última parte da reportagem que mostra como os gargalos do INSS forçam beneficiários a percorrer longas distâncias para a perícia médica, procedimento obrigatório para manter o benefício ativo. Para quem depende exclusivamente dessa renda, como pessoas com invalidez ou incapacidade permanente, o custo do deslocamento representa mais um peso sobre uma renda já corroída.

Na primeira parte desta reportagem, você leu que quase metade dos segurados no Ceará precisa viajar 70 km para realizar a perícia, em um universo de 156,3 mil pessoas agendadas em municípios diferentes do de residência ou até em outros estados.

A seguir, você verá como algumas cidades cearenses concentram agendamentos a distâncias ainda maiores, com Parambu como o caso mais extremo do Estado.

Diacisa, citada anteriormente, conta que o filho, que hoje tem 33 anos, é acompanhado pelo Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) desde pequeno e recebe o benefício há quase três décadas.

Além do desgaste da distância e do custo financeiro com deslocamento e alimentação, ela lembra que, durante a viagem, tanto o filho quanto o marido passaram mal.

“Foi o sofrimento maior do mundo”, lembra. Esse caso também não foi o único na família. Diacisa também elenca outro filho e um genro que tiveram perícias marcadas, respectivamente, para Canindé, a 290 km de Parambu, e para Picos, no Piauí, a 159 km da cidade.


(Diário do Nordeste)

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