Resumo
No Ceará, mais da metade das mulheres vítimas de estupro e violência sexual foram crianças e adolescentes no ano de 2025. Foram contabilizados 26 casos de violência, sendo 53,8% dos crimes contra pessoas de até 17 anos de idade. As informações são do 6º relatório “Elas Vivem”, da Rede de Observatórios da Segurança, divulgado nesta sexta-feira, 6.
No País, ao longo do ano passado, foram registrados 961 casos de estupro e violência sexual contra mulheres nos estados monitorados pela entidade. São eles: Amazonas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro e São Paulo.
Em números absolutos, o Amazonas aparece com o maior registro dos estados monitorados pela rede, com 353 casos, o que corresponde a 78,4% das ocorrências desse tipo de violência no estado.
Na sequência, São Paulo aparece na segunda posição, com 191 casos (35,6%), seguido pelo Pará, com 123 registros (62,8%). O Rio de Janeiro aparece em quarto lugar, com 95 casos (30,5%).
Em quinto lugar está a Bahia, com 75 ocorrências (57,3%). Piauí e Pernambuco aparecem em seguida, empatados com 53 casos cada, representando 43,4% e 45,5%, respectivamente. O Ceará aparece em penúltimo lugar, com 26 casos, e o Maranhão, com 23 ocorrências (39,1%), vem com menos casos.
No Estado, foram contabilizados 197 eventos de violência contra mulher em 2025. Os dados apresentados no relatório ainda revelam um aumento de 4,4% no número de mulheres e meninas mortas no ano passado em comparação a 2024.
O crescimento acompanha também a persistência do perfil dos agressores: em 46,8% dos casos, eles eram pessoas próximas às vítimas. A maioria das violências aconteceu em ambientes domésticos, onde 56,1% dos casos foram cometidas por parceiros, ex-parceiros, pais, filhos e outros familiares.
Já conhecidos das vítimas, são apontados por 345 caso e vizinhos por 59. Os dados também chamam atenção para o número de casos em que os níveis hierárquicos foram utilizados pelos agressores para praticar 264 eventos de violência.
De acordo com o relatório, agentes do Estado que utilizam de força policial para a prática dos crimes de violência contra mulher somaram 74 casos, em seguida, professores, com 66 ocorrências; pessoa funcionária pública ou no exercício de funções públicas, 44; colega de trabalho, 36; líder religioso, 24; patrão, ex-patrão ou superior hierárquico, 20.
Término de relacionamento está entre as motivações, aponta relatório
Entre as motivações para os crimes, segundo o estudo, estão o término de relacionamento, retaliação, vingança e ciúmes. Esse cenário resultou em 197 mulheres e meninas vítimas de agressões, assassinatos, sequestros, tortura, cárcere privado e violência verbal.
No estudo, foram reveladas 13 qualificadoras de violência contra mulheres, onde o Ceará contabilizou casos em 11. Entre elas, os homicídios contra mulheres lideram, com 67 casos. Em seguida, vem tentativa de feminicídio/agressão, com 41 registros.
Faca e objetos cortantes lideram armas utilizadas nos crimes de feminicídios
As facas e objetos cortantes foram os meios mais utilizados para cometer os crimes de feminicídio no Ceará no ano passado. Os instrumentos compõem 44,1% dos crimes cometidos com armas brancas, segundo o relatório.
Em fevereiro do ano passado, uma estudante de 20 anos, identificada como Natany Alves, foi sequestrada e morta a pedradas por três homens no município de Quixeramobim, a 186,48 quilômetros de Fortaleza.
Outro caso em que teve o uso de instrumento cortante foi a morte de um jovem de 18 anos no município de Trairi, a 111,87 quilômetros da Capital. Ao reagir ao assédio e não corresponder ao interesse de um idoso de 68 anos, ela foi decapitada. O suspeito do crime foi linchado pela população.
O Povo


