Ciro Gomes extrapolou os limites do Estado nesta semana e voltou aos holofotes na corrida presidencial. O PSDB sinalizou interesse em ter o ex-ministro como pré-candidato à Presidência da República. Ainda que focado na disputa pelo Governo do Ceará, o ex-ministro autorizou o presidente da sigla, Aécio Neves, a incluir seu nome em pesquisas eleitorais, apurou esta Coluna.
O gesto, por si só, não altera o cenário. Ciro tem mais de duas décadas de preparação para a disputa presidencial e acumula quatro candidaturas frustradas. Não é um aventureiro. Uma eventual mudança de rota depende de fatores mais sólidos do que uma declaração de dirigente partidário.
Cenário de polarização
Hoje, o ambiente é adverso. A eleição de 2026 caminha, novamente, para a polarização entre Lula e o campo bolsonarista, com o senador Flávio Bolsonaro como herdeiro político do pai.
Nesse contexto, o espaço para uma terceira via segue restrito, ao menos neste momento.
Estretégia partidária
Do ponto de vista partidário, o raciocínio de Aécio é compreensível. Um nome com o recall de Ciro pode ajudar no processo de reconstrução do PSDB em nível nacional.
Mas há uma distância evidente entre testar um nome e viabilizar uma candidatura competitiva.
Aécio, que também já disputou o Planalto, sabe: não existe candidatura nacional sem preparação prévia consistente. Discurso calibrado, estrutura partidária, alianças regionais e capilaridade política não se constroem a partir de declarações soltas.
Balão de ensaio
Ciro, que conhece esse caminho como poucos, também sabe disso. E é justamente por isso que, neste momento, o movimento soa mais como um ensaio do que como um projeto efetivamente em curso.
(Diário do Nordeste)



