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| Foto: Reprodução |
Na madrugada desta segunda-feira (13), moradores da comunidade Vila Gomes, em Fortaleza, viveram momentos de medo após parte do muro do Aeroporto Internacional Pinto Martins desabar durante as fortes chuvas. A estrutura cedeu justamente na área onde ocorre o desmatamento da chamada “Floresta do Aeroporto” e atingiu diversas residências, provocando alagamentos e prejuízos materiais.
O desabamento ocorre em meio a uma polêmica envolvendo o desmatamento da área para a construção de um complexo logístico privado. O projeto envolve a empresa Aerotrópolis Empreendimentos e a concessionária Fraport Brasil, responsável pela administração do aeroporto.
A retirada de dezenas de hectares de vegetação vem sendo alvo de críticas de ambientalistas e órgãos de fiscalização. Técnicos apontam que a vegetação exercia papel essencial na drenagem da água da chuva, reduzindo riscos de alagamentos e deslizamentos. Sem essa proteção natural, o solo se torna mais vulnerável, aumentando o impacto das chuvas intensas, cenário que pode ter contribuído para o desabamento do muro.
Moradores afirmam que situações de alagamento se tornaram mais frequentes após o início das intervenções na área. “A água nunca entrava assim. Depois que começaram a derrubar tudo, qualquer chuva mais forte já causa transtorno”, relatou uma moradora que teve a casa atingida.
Disputa judicial e investigação ambiental
O caso também está no centro de uma disputa judicial. A Justiça Federal do Brasil chegou a determinar a suspensão das obras por meio de uma liminar, após ação popular movida pelo vereador Gabriel Aguiar (PSOL). A decisão considerava possíveis irregularidades no licenciamento ambiental e os impactos do desmatamento.
No entanto, a medida foi posteriormente derrubada pelo Tribunal Regional Federal da 5ª Região, que autorizou a retomada das obras. Paralelamente, o Ministério Público Federal instaurou um procedimento para investigar o caso e acionou a Polícia Federal do Brasil, que apura possíveis crimes ambientais e irregularidades no projeto.
Órgãos ambientais estaduais já haviam identificado problemas como supressão de vegetação além do permitido, intervenção em áreas de preservação permanente (APP) e falhas no manejo da fauna. Em momentos anteriores, essas irregularidades chegaram a motivar a suspensão da licença ambiental.
Para o vereador Gabriel Aguiar, o episódio desta segunda-feira evidencia os efeitos diretos da intervenção ambiental. Segundo ele, a floresta desempenhava papel fundamental na proteção da área. “O que estamos vendo agora é o resultado: famílias sendo atingidas dentro de suas próprias casas”, afirmou.
Diante do ocorrido, moradores e autoridades cobram medidas urgentes, como assistência imediata às famílias afetadas, apuração das responsabilidades pelo desabamento e a suspensão das obras até que todos os impactos ambientais e urbanos sejam devidamente avaliados.
(GC+)



