Onda de fechamentos faz 10 cidades do Ceará perderem ao menos um banco físico

 





Ao todo, 10  municípios do interior do Ceará ficaram sem atendimento físico de ao menos um banco privado após o fechamento de 117 agências no Estado ao longo dos últimos anos, segundo o Sindicato dos Bancários do Estado (SEEB-CE).

Desse total, 63 agências fecharam só em 2025, mais da metade dos encerramentos registrados desde 2022. Embora mantenha sua rede de atendimento, Fortaleza foi a cidade com o maior número de encerramentos, com 33 unidades a menos: 15 do Bradesco, 11 do Itaú e sete do Santander. 

Segundo o SEEB-CE, a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil não fecharam agências no Estado no período analisado.

Para Wandemberg Almeida, presidente do Conselho Regional de Economia do Ceará (Corecon-CE), o principal fator deste movimento é a "digitalização acelerada dos serviços financeiros".

Ele explica que manter uma agência física envolve altos gastos com aluguel, segurança e pessoal, e as instituições passaram a ver essas estruturas como "menos necessárias diante da queda no fluxo presencial".

 

O Itaú e o Santander informaram que estão reestruturando suas redes físicas para focar em um atendimento mais consultivo e especializado, acompanhando a migração de quase todos os clientes para os canais digitais (leia posicionamentos completos abaixo). O Bradesco não respondeu aos questionamentos até o fechamento desta matéria.

10 cidades pederam agências do Bradesco

O Bradesco, que historicamente mantinha o lema de forte presença física, foi o último a aderir a essa lógica. Porém, a empresa acelerou o processo recentemente e, em 2025, foi a marca que mais fechou agências e postos de atendimento no Ceará.

Só em Fortaleza foram 15 locais fechados. Entre eles, um na esquina das avenidas Virgílio Távora com Santos Dumont, outro na Monsenhor Tabosa e mais um na Aguanambi (confira a lista abaixo).

No interior, 23 municípios cearenses tiveram atendimentos fechados, entre postos de atendimento avançado (PAA) e agências.

Destes, 10 não possuem mais nenhum tipo de atendimento do Bradesco. São eles: Miraíma, Chaval, Tururu, Uruburetama, General Sampaio, Apuiarés, Umirim, Santana do Acaraú, Uruoca e Senador Sá.

A reportagem entrou em contato, por meio da assessoria de imprensa do banco, para saber qual o número atual de agências no Estado, quais os motivos dos fechamentos e qual é o reposicionamento do atendimento físico, mas, até o fechamento desta matéria, não recebemos retorno. O espaço segue aberto.

Por que o recorde de fechamentos?

O ano de 2025 concentrou mais de 50% dos fechamentos ocorridos nos últimos três anos. Esse fenômeno reflete uma tendência nacional: dados do Banco Central indicam que, entre dezembro de 2024 e dezembro de 2025, o Brasil perdeu 1.583 agências.

O movimento de encerramento de unidades físicas, que ganhou força no período pós-pandemia, atingiu seu ápice em 2025 devido a uma mudança central na estratégia empresarial das grandes instituições privadas.

Segundo José Eduardo Marinho, presidente do Sindicato dos Bancários do Ceará, o motivo principal dos fechamentos é a busca pela "redução de custos fixos, como manutenção de prédios e despesas com pessoal".

Ele lembra que faz algum tempo que os bancos têm priorizado a digitalização de processos, substituindo o atendimento humano por plataformas automatizadas, chatbots e o direcionamento de clientes para correspondentes bancários. 

Já Wandemberg fundamenta essa aceleração no " empurrão forçado para o digital" é resultado da pandemia e na pressão gerada pelas fintechs e pelo uso massivo do Pix.

De acordo com ele, não se trata de uma decisão isolada, mas de uma "mudança de modelo bancário" baseada em três vetores: a busca por lucro via redução de despesas, a mudança de comportamento do consumidor e a reconfiguração do setor com novos modelos de negócio.  

Impacto social e a "exclusão" digital

Para o economista Wandemberg Almeida, o fechamento de agências bancárias atinge diretamente as populações mais vulneráveis. "Idosos, pessoas de baixa renda e pequenos comerciantes são os mais impactados, pois dependem da orientação humana para acessar crédito e serviços básicos", pondera.

Ele reforça que a agência movimenta o comércio local e gera empregos. Portanto, o encerramento de uma unidade produz impactos negativos na economia, especialmente em cidades menores.


(Diário do Nordeste)

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