O fato de a Enel Distribuição Ceará ficar de fora da lista de prorrogação das concessões do Ministério de Minas e Energia (MME) reforça a insatisfação com o serviço prestado pela empresa e retoma a incerteza sobre sua permanência no setor, conforme fontes especializadas.
Isso porque, no fim de março, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) havia recomendado a prorrogação antecipada do contrato da Enel Distribuição Ceará por mais 30 anos. Esperava-se que, após a indicação do órgão regulatório, o nome da empresa constasse na lista publicada nesta segunda-feira.
Em nota, a Enel explica "que o processo de renovação antecipada da concessão já recebeu a aprovação da Aneel e segue agora os ritos formais do procedimento, que passará pela aprovação do MME". (leia posicionamento completo da Enel no fim da matéria).
Para Marília Brilhante, especialista em energias renováveis e diretora da Energo Soluções em Energias, pelo menos no curto e médio prazo, o que a não inclusão da Enel no processo indica é que a renovação da concessionária para atuar no Ceará deixou de depender somente de formalidades, como a recomendação da Aneel.
"Embora o contrato atual permaneça válido até seu vencimento, a empresa agora dependerá de avaliação mais rigorosa para garantir sua permanência", defende. A empresa tem contrato válido até 2028.
Já Raphael Amaral, professor do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade Federal do Ceará (UFC), avalia que a exclusão da distribuidora da lista funciona como uma forma de pressão para que a empresa melhore a qualidade dos serviços prestados.
"O MME decidiu não renovar agora pensando em receber maiores esclarecimentos, detalhamentos, para que a Enel Ceará demonstre, com mais provas, se adequar e ter responsabilidade de prestar esse serviço com a qualidade necessária e exigida", analisa.
(Diário do Nordeste)



