O período é de pré-campanha. Postulantes a candidatos costuram alianças e buscam atrair siglas que, além de apoios políticos, garantem tempo de propaganda eleitoral e recursos para a disputa que se encerra em outubro.
No Ceará, o cenário para o Governo do Estado caminha para ter o governador Elmano de Freitas (PT) na tentativa de reeleição, diante de a candidatura de oposição de maior porte representada pelo ex-governador Ciro Gomes (PSDB), que ainda não confirmou se disputará o pleito estadual, mas admite estar inclinado nessa direção.
Embora o quadro local comece a se desenhar, a disputa presidencial tende a influenciar diretamente a eleição no Estado, ainda que parte dos atores políticos tente evitar essa associação.
Força e desafios da base aliada
Uma ampla base aliada traz vantagens evidentes a uma candidatura, como maior capilaridade política e acesso a recursos. Por outro lado, pode impor desafios, especialmente quando há divergências em relação à disputa nacional.
Elmano buscará a reeleição pelo PT, partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que deve tentar um novo mandato. No Ceará, o governador conta com o apoio de siglas como PSB, MDB, PDT e PSD.
Entre esses partidos, o PSB terá novamente Geraldo Alckmin candidato a vice de Lula e no Ceará forma a maior bancada da Assembleia Legislativa, base forte do governo petista no Estado.
Já o PDT, após deixar formalmente a base de Lula, não deve ter candidatura própria a presidente e tende a apoiar o presidente. No Ceará, a sigla comandada pelo deputado federal André Figueiredo se reaproximou do governo Elmano após a saída em massa dos deputados estaduais que faziam oposição ao petista.
O MDB, historicamente heterogêneo, pode não formalizar apoio nacional, mas dificilmente impedirá lóderes locais — como o grupo do ex-senador Eunício Oliveira — de estarem no palanque governista. Eunício é nome forte para ser um dos candidatos ao Senado da base aliada.
O Republicanos, de Chiquinho Feitosa, não deverá se afastar de Elmano, embora dificilmente vá se alinhar com Lula na disputa nacional. Chiquinho sonha em disputar o Senado, podendo ainda conseguir uma vaga na suplência da Câmara Alta, cargo que já ocupou anteriormente.
No PSD, a situação é semelhante, com uma diferença relevante: a legenda tem pré-candidato à Presidência, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, que se consolidou internamente após disputa com Eduardo Leite (RS) e Ratinho Júnior (PR).
Apesar do posicionamento de Caiado no campo da direita e de oposição ao PT, a condução nacional do partido, sob Gilberto Kassab, tende a preservar a autonomia das alianças estaduais. No Ceará, o presidente estadual Domingos Filho já sinalizou alinhamento com o governo Elmano e pode, inclusive, integrar a chapa majoritária.
Até pouco tempo tendo cargos na gestão petista no Estado e ainda na Prefeitura de Fortaleza, o Psol não deve figurar na lista de apoios à tentativa de reeleição de Elmano. A sigla lançou a pré-candidatura do Professor Jarir Pereira a governador. Para presidente, o partido caminha para apoiar Lula.
Ciro entre o cenário local e o nacional
De volta ao PSDB, Ciro Gomes voltou a ser cogitado tanto para a disputa presidencial quanto para o Governo do Ceará, o que reabre incertezas no cenário local.
Caso opte por disputar o Palácio da Abolição, o ex-governador terá de administrar, dentro da aliança, os impactos dos posicionamentos nacionais de partidos que podem compor sua base.
Um dos principais pontos de atenção envolve o Partido Liberal (PL). Embora Ciro busque evitar a nacionalização do debate e aposte em uma campanha focada no contexto estadual, um eventual apoio da sigla pode associar sua candidatura ao campo bolsonarista, especialmente diante da candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência.
Mesmo sem aderir diretamente a essa pauta, a vinculação partidária tende a inserir Ciro em um dos polos da campanha nacional.
Em menor escala, outras siglas também trazem implicações. O Democracia Cristã (DC), que tem Aldo Rebelo como pré-candidato a presidente, já declarou apoio a Ciro no Ceará.
Já o Avante, que lançou o escritor Augusto Cury como pré-candidato ao Planalto, aguarda a definição de Ciro para oficializar seu posicionamento no Estado.
Unidos na federação União Progressista, União Brasil e Progressistas (PP) aderiram localmente à pré-candidatura de Ciro, embora haja indefinição quanto à postura que terão nacionalmente. A tendência é de alinhamento com a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) ou outra força da centro-direita, mas ainda não há decisão.
No Ceará, ambas as
siglas têm parlamentares da base e da oposição a Elmano, devendo fazer
vista grossa para quem quiser seguir um caminho diferente do que a
federação irá tomar.
Em três das quatro vezes em que disputou a Presidência, Ciro foi o candidato mais votado no Ceará. Em 2022, no entanto, o desempenho mais fraco em nível nacional também se refletiu no Estado, onde terminou em terceiro lugar, atrás de Lula e Jair Bolsonaro.
Girão e outras forças
Já o senador Eduardo Girão, pré-candidato ao Governo do Ceará pelo Novo, também se insere nesse contexto de interseção entre cenários local e nacional. A legenda avalia lançar à Presidência o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, o que daria ao partido um palanque próprio em nível nacional.
Ao mesmo tempo, Girão mantém proximidade com o campo bolsonarista, que deve estar representado na disputa presidencial pelo senador Flávio Bolsonaro, evidenciando mais uma sobreposição de alianças e referências políticas que tende a repercutir na dinâmica da eleição estadual.
Embora o cenário cearense não reproduza integralmente a polarização nacional, é pouco provável que a disputa presidencial não influencie o debate local.
Aliados de Elmano já
sinalizam que devem explorar essa conexão, buscando associar Ciro ao
bolsonarismo e transferir ao ex-governador parte da rejeição ao
ex-presidente Jair Bolsonaro no Estado.
Base de Elmano
- Federação PT/PCdoB/PV: Lula (PT)
- MDB: indefinido
- O Democrata: indefinido
- PDT: indefinido, com inclinação a Lula (PT)
- Podemos: indefinido
- PSB: Lula (PT)
- PSD: Ronaldo Caiado (PSD)
- Republicanos: indefinido
Base de Ciro
- Cidadania: indefinido
- DC: Aldo Rebelo (DC)
- Federação União Progressista: indefinida
- PL: Flávio Bolsonaro (PL), embora no Ceará as conversas estejam oficialmente suspensas com Ciro
- PSDB: indefinido, quer lançar Ciro a presidente
Girão
- Novo: Romeu Zema (Novo)
Professor Jarir Pereira
- Federação Psol/Rede: Lula (PT)
Zé Batista
- PSTU: Hertz Dias (PSTU)
Giovanni Sampaio
- Federação Solidariedade/PRD: indefinido
Forças sem definição no Ceará e os candidatos a presidente
- Avante: Augusto Cury
- Missão: Renan Santos
- Mobiliza: Cabo Daciolo
- PCB: Edmilson Costa
- PCO: Rui Costa Pimenta
- UP: Samara Martins



