A prisão de Daniel, nesta quarta-feira (24), aconteceu durante uma operação para cumprir mandados de busca e apreensão realizada pelo Ministério Público Eleitoral (MPE) e pela Polícia Federal (PF). A operação aconteceu no âmbito da investigação criminal conjunta contra Bebeto. Foram apreendidos documentos que serão analisados pelos dois órgãos.
O filho de Bebeto foi preso por, suspostamente, ocultar a propriedade de um carro usando documentos falsos. O veículo está registrado no nome do avô de Daniel, mas era mantido sob posse, uso e disponibilidade dele, estando, inclusive, na vaga de garagem do prédio referente a Daniel.
Os investigadores encontraram também uma declaração de residência afirmando que o avô de Daniel morava no prédio, mas o síndico do imóvel disse que o homem não consta na lista de moradores da unidade.
A Justiça, no entanto, decidiu restituir a liberdade com as seguintes medidas cautelares:
- apresentação mensal à Justiça;
- permanecer em casa das 22h às 6h;
- uso de tornozeleira eletrônica;
- proibição de sair do país e entrega do passaporte à Justiça.
Além disso, Daniel fica obrigado a:
- não passar mais que oito dias fora de Fortaleza sem informar o local onde poderá ser encontrado;
- comunicar eventual mudança de endereço;
- comparecer a todos os atos processuais para os quais for intimado.
Ex-prefeito foragido
Eleito prefeito de Choró nas eleições municipais de 2024, Bebeto não chegou a tomar posse. Ele foi preso em novembro de 2024 por suspeita de envolvimento em um esquema de fraudes envolvendo contratos de abastecimentos de veículos da prefeitura.
O político chegou a ser solto no início de dezembro de 2024, após expirar o prazo da prisão temporária. Porém, poucos dias depois, a Justiça expediu um novo mandado de prisão contra ele, por outros crimes. Desde então, as autoridades não sabem o paradeiro de Bebeto Queiroz.
Em março deste ano, a defesa de Bebeto Queiroz disse que somente iria se manifestar nos autos dos processos.
Em abril de 2025, a Justiça Eleitoral cassou a chapa liderada por Bebeto que venceu as eleições de Choró. O Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE) manteve a cassação, em agosto do ano passado. Uma nova eleição foi realizada no Município, no último dia 1º de março.
Fraudes a licitações
Por meio de nota, na época, a assessoria jurídica do deputado Júnior Mano disse que a investigação da Polícia Federal "nada encontrou de relevante contra o deputado" e lamentou o "vazamento seletivo de informações sigilosas justamente num momento em que os partidos começam a definir as candidaturas para as eleições deste ano".
De acordo com o relatório da PF, Bebeto, era o responsável por intermediar a destinação das emendas parlamentares do deputado Júnior Mano para prefeituras alinhadas ao grupo. O suspeito também negociava uma porcentagem da emenda que ficava com o grupo, uma “taxa” que variava entre 12 e 15% do recurso.
As investigações apontam que Bebeto utilizava várias empresas, que tinham contratos com diversas prefeituras do interior do Ceará, para desviar recursos que eram utilizados tanto para enriquecimento ilícito quanto para financiar campanhas eleitorais de aliados, por meio de práticas como a compra de votos. Depois, as mesmas empresas conseguiam contratos nas prefeituras dos aliados eleitos.
No relatório, a Polícia Federal destaca que não foi possível ouvir o depoimento de Bebeto uma vez que ele está foragido, "dificultando ainda mais sua defesa perante as provas colhidas e reforçando a ideia de que sua evasão está diretamente ligada à tentativa de obstrução da investigação e à sua reconhecida posição de liderança dentro da organização criminosa".
Um mandado de prisão emitido pelo Tribunal Regional Eleitoral do Ceará contra Carlos Alberto Queiroz, o Bebeto segue em aberto com validade para todo o país.
(G1/CE)
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