Parte da Gruta Mãe D'água, um dos cartões-postais da Praia das Fontes, em Beberibe, no Ceará, desabou nesta terça-feira (16). Não houve vítimas.
Em nota publicada nas redes sociais, a gestão municipal informou que o desabamento ocorreu devido a processos naturais de erosão costeira, associados à ação da maré sobre as falésias.
A prefeitura também acrescentou que o local já se encontrava interditado e com sinalização preventiva em razão dos riscos de instabilidade geológica.
"Por segurança, a interdição permanece mantida e o acesso ao local continua proibido até nova avaliação técnica", informou o texto.
A Secretaria do Meio Ambiente de Beberibe, em conjunto com a Defesa Civil e a Secretaria de Infraestrutura, segue monitorando a área e adotando as medidas necessárias.
"Pedimos à população e aos visitantes que respeitem a sinalização e evitem acessar áreas interditadas", finalizou a prefeitura.
Falésias na Praia das Fontes corriam risco de cair
Em março do ano passado, foi divulgado o Plano de Ações de Contingência para Riscos Associados a Ambientes de Falésias, produto da Secretaria de Meio Ambiente e Mudança do Clima (Sema).
Nele, foi constatado que as falésias de seis cidades do Ceará estavam sujeitas a acidentes, como desabamentos e deslizamentos, incluindo as presentes na Praia das Fontes, em Beberibe.
No Ceará, mostra o Plano, as falésias estão predominantemente localizadas no Litoral Leste (começam em Beberibe e se estendem, de forma descontínua, até o limite do Rio Grande do Norte), embora também ocorram na área Oeste. Conforme as análises do levantamento, os municípios mais suscetíveis a acidentes com essas estruturas foram:
Costa Leste
- Beberibe: Morro Branco e Praia das Fontes
- Fortim: Praia do Pontal de Maceió
- Aracati: Praia de Canoa Quebrada
- Icapuí: Praias de Redonda, Peroba e Ponta Grossa
Costa Oeste
- Caucaia: Praia do Pacheco
- Paraipaba: Praia da Lagoinha
Como prevenir acidentes?
Segundo a Classificação e Codificação Brasileira de Desastres (Cobrade), os acidentes em falésias são desastres geológicos relacionados a fenômenos de movimentos de massa e erosão costeira.
Tendo isso em vista, o plano de contingência estabelece protocolos e procedimentos a serem adotados por agentes e órgãos envolvidos, direta ou indiretamente, na prevenção e resposta a emergências, dentre as quais:
- inclusão das áreas de risco nos Planos Diretores Participativos (PDP) municipais
- realização de vistorias periódicas visando identificar possíveis áreas de risco e/ou perigo de acidente em falésias costeiras
- instalação de placas ou bandeiras de sinalização sobre o perigo das falésias, sobretudo nas áreas com maior fluxo de pessoas, na base e no topo
- promover campanhas de educação ambiental para a comunidade, escolas locais e turistas sobre os riscos associados
- em caso de acidente envolvendo vítimas, fornecer apoio psicossocial à família da vítima e/ou a comunidade atingida.
Na etapa de pré-desastre, devem ser tomadas iniciativas como monitoramento, alerta, alarme e acionamento de recursos.
Assim, após o acionamento do estado de alerta pelo coordenador da Defesa Civil Municipal, as prefeituras devem convocar os gestores das secretarias envolvidas para garantir os recursos necessários caso a situação evolua.
(Diário do Nordeste)



