Moradores das duas maiores residências universitárias da UFC reclamam de estrutura e insegurança


 




Infraestrutura precária, episódios de insegurança e demora em reparos são alguns dos principais problemas enfrentados por moradores das duas maiores residências universitárias mantidas pela Universidade Federal do Ceará (UFC), em Fortaleza.

Em uma delas, conhecida como unidade 420, localizada no bairro Pici, há a presença infiltrações nas paredes, aparelhos sanitários quebrados, máquinas de lavar com defeito, além de rachaduras no teto e a presença de lixo e insetos.

Os registros foram realizados por um dos 189 residentes do local e enviados ao Diário do Nordeste nesta semana. Segundo o aluno, que não quis ser identificado, essa é uma situação que perdura há meses e não encontra sinais de ser solucionada pela universidade.

Exemplo de sujeira espalhada no local de descarte de lixo na unidade 420, no Campus do Pici.
Foto: Reprodução / VC Repórter.



"A manutenção [das residências] está paralizada. Quando tem um problema, se o morador conseguir, ele mesmo resolve. Se não, a gente abre uma solicitação e fica esperando meses até aparecer uma solução. É um serviço que deveria ser oferecido pela universidade, mas que está funcionando de qualquer jeito", afirmou.

Em entrevista à reportagem, o estudante explicou que fazia parte do conjunto de "diretores" da unidade 420 - estudantes eleitos pelos próprios moradores para atuarem como interlocutores junto à administração universitária.

Porém, no início da semana, decidiu se ausentar devido à cobrança excessiva diante de tantos problemas e da demora em solicioná-los. "Existe uma demanda que é gerada em cima da gente, mas nós estamos a mercê da disponibilidade da UFC de disponibilizar ou recursos que as pessoas cobram", relatou.

Moradores das resdiências universitárias precisam conviver com a deterioração gradual dos prédios.
Foto: Reprodução / VC Repórter.


Dentre as principais cobranças dos residentes, segundo o aluno, está a busca por ações mais efetivas no combate à insegurança na unidade. Ele relatou que, em março, moradores foram vítimas de um furto realizado de madrugada.

No boletim de ocorrência registrado pelo estudante, e compartilhado ao Diário do Nordeste, é dito que um homem não identificado invadiu o local de madrugada e levou a bicicleta dele, além de roupas e uma televisão dos outros moradores.

"Desde do ocorrido, prometeram concertina, cerca elétrica, câmeras e nenhuma dessas providências foi tomada. Seguimos inseguros e abandonados pela instrução federal", desabafou o aluno.

Insegurança também afeta residentes do Benfica

A unidade 125, localizada próximo à praça da Gentilândia, no bairro Benfica, também sofre com dificuldades na manutenção estrutural e na garantia da segurança aos moradores. Essa é a segunda maior unidade do programa, com 97 residentes.

A situação foi relatada à reportagem por Iara Silva Azevedo, estudante do curso de ciências sociais e uma das "diretoras" responsáveis pelo interesse dos residentes.

"Tudo é muito demorado quando temos um problema nos quartos", disse. "Uma vez, identificamos um vazamento de gás e imediatamente notificamos a universidade. Demorou quase cinco meses até eles enviarem alguém para resolver. Aquilo poderia causar um estrago a qualquer momento", contou.

Residência 125, localizada na rua Paulino Nogueira, no Benfica.
Foto: Reprodução / Google Maps.



Ela também relembrou episódios de furtos e invasões e ainda acusou de negligência a universidade, por meio da Pró-Reitoria para Assuntos Estudantis (PRAE), diante de denúncias de casos de violência extrema supostamente ocorridos na unidade.

"Já recebemos o caso de um morador que dorme com uma faca debaixo da travesseiro. Um dia, acordou o colega de quarto e apontou a faca para ele. Nós levamos isso PRAE e não recebemos nenhum retorno. Isso mexe muito com o nosso psicológico", explicou.

Iara afirma que há um sentimento de medo por parte dos residentes em relação à PRAE, por temerem perder vaga na residência caso haja reclamações.

"Há uma falha muito grande dentro da Pró-Reitoria. Falta apoio psicológico, acolhimento. [...] Nós da diretoria estamos sempre tentando lidar com esses problemas. Mas como  fazer isso? Porque a gente não tem esse preparo", reforçou.

UFC reafirma compromisso com a segurança dos alunos

O Diário do Nordeste levou os questionamentos enviados pelos estudantes à UFC. Em resposta, a universidade salientou que está ciente das demandas existentes nas residências e mantém canais permanentes de diálogo "para o acompanhamento das condições de moradia estudantil".

A instituição detalhou que manutenção das unidades ocorre envolve de forma articulada pela PRAE, responsável pelo acompanhamento das demandas dos residentes, a Superintendência de Infraestrutura (UFC Infra), encarregada dos serviços de manutenção predial, além da Superintendência de Tecnologia da Informação (STI) e da Secretaria de Meio Ambiente do Estado do Ceará (SMA).

As solicitações relacionadas à manutenção e melhoria das residências são recebidas, avaliadas e encaminhadas pelos setores competentes da instituição. A UFC reconhece a importância histórica das residências universitárias para a permanência estudantil e a necessidade contínua de aperfeiçoar os serviços prestados aos seus moradores.

Quanto às denúncias de insegurança nas unidades 420 e 125, a UFC afirmou que vêm implantando medidas com o objetivo de fortalecer a gestão e a infraestrutura desses equipamentos, dentre as quais destacam-se:

  • Criação de dotação orçamentária específica para aquisição de bens permanentes destinados às Residências Universitárias;
  • Ampliação da equipe de referência da PRAE responsável pelo acompanhamento dos estudantes residentes;
  • Priorização das Residências Universitárias no planejamento institucional de obras de reforma;
  • Implantação de um programa permanente de manutenção das Residências Universitárias.

Em relação ao furto relatado da Residência Universitária 420, a instituição informou que representantes da PRAE, da UFC Infra e da SMA realizaram visitas técnicas para avaliação da situação e definição das medidas de segurança necessárias.

"Entre as providências previstas estão a instalação de câmeras de monitoramento em pontos estratégicos e de concertinas nos muros da residência, cujos serviços já foram orçados e encaminhados para execução pela empresa responsável", disse a UFC.

A instituição ainda reforçou que o estudante da unidade 420 cuja bicicleta foi furtada recebeu auxílio financeiro destinado à mitigação do prejuízo material sofrido. Porém, em contato com a reportagem, ele negou a afirmação.

"O auxílio emergencial que recebi foi para a compra de meu óculos, pois sou uma pessoa com deficiência (PcD) baixa visão e necessito da troca periódica do óculos", afirmou.

O que são as residências universitárias da UFC?

Fundadas em 1961, as residências universitárias da UFC são destinadas aos alunos que não possuem moradia em Fortaleza. Atualmente, 347 estudantes residem nas 09 residências universitárias espalhadas pela Capital cearense.

A cada início de semestre letivo, é realizada uma chamada pública para a inclusão de ingressantes no programa das residências. Cada morador recebe benefícios que auxiliam na permanência da universidade durante o progresso no curso.

Fachada da residência 420, com capacidade para abrigar 198 moradores.
Foto: Reprodução / Google Maps.



Entre os benefícios ofertados aos residentes, segundo a UFC, estão:

  • Alimentação gratuita, por meio da isenção da taxa do Restaurante Universitário (RU) para café da manhã, almoço e jantar;
  • Auxílio financeiro mensal, no valor de R$ 536, destinado a subsidiar a alimentação nos períodos em que o RU não funciona, como finais de semana, feriados e recessos;
  • Auxílio financeiro, pago em parcela única no valor de R$ 536, destinado à instalação, adaptação e aquisição de itens essenciais no ingresso à residência;
  • Auxílio coletivo mensal destinado às casas definido pela quantidade de residentes, voltado à aquisição de materiais e à contratação de serviços necessários à convivência, higiene, qualidade de vida e manutenção das residências.

Além disso, são disponibilizadas bolsas de iniciação acadêmica e bolsas do desporto para apoiar academicamente e incentivar a participação em atividades extracurriculares.




(Diário do Nordeste)

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