'Eu entrei em desespero, acabou meu mundo', diz pai de bebê de 10 meses morta após estupro


 


Pai de duas crianças, um menino de 2 anos e meio e uma menina de 10 meses, o autônomo E., de 35 anos, estava em Canindé a trabalho quando soube da morte da filha.

A notícia foi dada a ele, sem detalhes, pela mãe da bebê, com quem se relacionou por cinco anos e estava há dois meses separado. Em entrevista ao Diário do Nordeste, o homem, que não terá o nome divulgado para preservar a identidade da criança, diz que só soube da violência sexual sofrida pela filha quando um amigo ligou para ele e disse "liga aí a TV pra tu ver o que aconteceu de verdade".

"Ela me ligou dizendo que a menina morreu asfixiada, a família dela me disse a mesma coisa... Eu soube da verdade pela televisão. Eu entrei em desespero, acabou meu mundo ali na hora".

Na manhã da última segunda-feira (13), o pai disse que pegou a estrada de volta a Fortaleza e foi até a Delegacia de Combate à Exploração da Criança e do Adolescente (Dceca), onde estavam a mãe da vítima e os dois suspeitos presos pelo crime, o namorado da mãe e o primo dele.

A reportagem também tentou contato com a família da mãe da bebê, mas não teve resposta até a publicação desta matéria.

'NINGUÉM VIU NADA?'

Ao saber da versão dada pela mãe da menina, ouvida na condição de testemunha, ele contou ter questionado: "como assim? A menina morreu do jeito que morreu e ninguém viu nada?".

"Quando cheguei na delegacia a família dela me disse que não queria me contar ainda, porque estavam esperando sair o laudo. A Polícia levou eles lá pra dentro, eles já estavam presos"

"A minha filha foi levada para dentro de um apartamento, para um ambiente de bebedeira. Eu tenho uma dor de revolta, me dói cada vez mais, eu tô arruinado, tem hora que não dá vontade de viver. É uma dor que eu não sei explicar", diz o papai da bebê vítima de estupro de vulnerável.

Ele e a ex-esposa têm outro filho juntos que, segundo ele, "ainda não conseguiu ver desde a morte da menina".

O pai reclama que a criança de dois anos segue sob a guarda da mãe.

"Todos os dias eu via meus filhos, nem que fosse por videoconferência. Mas ela, uma bebê menina, eu deixava com a mãe, confiava... Eu botava minha filha para dormir e ele (o filho maior) perguntava: 'Papai, cade a L...'? (se referindo a irmão mais nova)".

VERSÕES DO CRIME

O crime aconteceu em um apartamento (casa de um dos suspeitos), no bairro Dionísio Torres, em Fortaleza.

A reportagem apurou que a mãe da menina levou a filha até o apartamento do namorado na noite do último dia 13 de julho, onde ela, os dois homens e outras pessoas comemoravam um aniversário. 

Os suspeitos pelo estupro de vulnerável com resultado morte são dois primos de 22 anos e 26 anos. Os nomes dos suspeitos serão preservados, pois eles ainda não foram denunciados pelo Ministério Público do Ceará (MPCE).

O mais jovem é namorado da mãe da criança e se relacionava com a mulher há pouco tempo. O primo dele é quem foi encontrado supostamente dormindo em cima da menina. 


HORAS ANTES DO ESTUPRO

A reportagem conversou com uma pessoa ligada à família, que contou que a mãe saiu de casa levando a filha bebê até a casa do namorado, com quem 'estava ficando' há poucos dias.

Na casa do suspeito, estavam a mãe, os primos e mais duas pessoas. A mãe, que não terá o nome divulgado para preservar a identidade da criança por determinação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), colocou a menina para dormir em um quarto separado e, por volta das 2h, ouviu a bebê chorando.

Ela então teria ido até o compartimento, pegou a criança e colocou para dormir na cama onde estava o primo do namorado dela.

Em determinado momento, a mulher saiu desse quarto e foi até a sala, junto ao namorado. Depois, retornou e adormeceu perto da criança e do homem.

Pela manhã, já por volta das 7h, a mulher disse ter encontrado o primo do namorado dormindo por cima da menina.

No primeiro momento, ela disse acreditar que a filha estava asfixiada, pegou a criança e pediu socorro aos policiais militares lotados na Assembleia Legislativa do Ceará (Alece). O apartamento onde ela estava é localizado próximo ao órgão público.

Os militares acionaram a equipe do Corpo de Bombeiros de plantão na Alece. A guarnição "realizou manobras de desengasgo sem êxito".

A mãe e a bebê foram levadas a um hospital particular próximo ao prédio residencial, sendo constatada a morte da criança já na unidade hospitalar. 

A médica que atendeu a menina constatou uma laceração no ânus da criança e emitiu protocolo de encaminhamento do caso à Perícia Forense do Ceará (Pefoce).

A reportagem apurou que as partes íntimas da criança apresentavam ferimentos e que havia muito cocô dentro da fralda

A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) afirma que o caso segue sob investigação e que a Polícia Civil do Ceará (PCCE) aguarda o laudo pericial.

A Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce) informa que foram realizados os exames periciais no local da ocorrência e o exame cadavérico.

"As análises laboratoriais necessárias à conclusão dos laudos periciais seguem em andamento e serão finalizadas com o rigor técnico-científico adotado pela instituição. Após a conclusão, os laudos serão encaminhados à autoridade policial responsável, a quem compete a condução das investigações", disseram por nota. 



(Diário do Nordeste)

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